#03 – Por dentro da Comunicação Interna e Endomarketing: atuar em empresa ou em agência?

Por Michele Boin

Oi, oi, oi!

Continuando a nossa série – que já deu introdução básica ao assunto e falou sobre as principais ferramentas utilizadas na área e o passo-a-passo que envolve essa rotina -, hoje vamos analisar como é o ambiente de trabalho de atuação em CI e Endomarketing em organizações e em agências. Quais são as diferenças mais significativas? Em qual será que o seu perfil se encaixa mais? Acompanhe para descobrir.

Muitas pessoas desconhecem a existência de agências que atuam com a área (agências de Relações Públicas e Comunicação Corporativa, por exemplo) e até que algumas delas são especializadas neste tipo de consultoria e produção. Quanto a estas, não me refiro às agências com expertise em Eventos ou produção de conteúdo, mas sim às agências de Comunicação Interna e Endomarketing. Existem muitas e em todos os estados do país, embora a maior concentração continue sendo em São Paulo e também na região Sul.

Lembro que, ainda este ano, quando me decidi por seguir carreira na área de Comunicação Interna, descobri também a possibilidade de atuação nestes dois ambientes, e esta foi a minha primeira dúvida: qual seria mais o ambiente para o meu perfil profissional? Sei que não fui a única pessoa neste dilema…

Para ajudar quem se encontra nesta mesma situação, primeiro devemos entender que em ambos os ambientes atuamos para uma organização, só que em um “somos o cliente” e no outro trabalhamos para o cliente. As responsabilidades são enormes nos dois casos.

Quando atuamos diretamente numa companhia, independente do seu porte e influência como formadora de opinião, costumamos fazer parte do setor de CI e Endomarketing (ou a nomenclatura que a empresa utiliza), que pode ser independente ou pode, como acontece na maioria dos casos e nas maiores empresas, se reportar ao departamento de Comunicação Corporativa e/ou ao de Marketing. Como já falamos antes, em algumas corporações, os responsáveis pelas atividades de CI e Endomarketing são da área de Recursos Humanos ou Marketing, tudo depende da estrutura de cada organização.

É importante ressaltar que muitas empresas preferem não contratar uma agência, ficando responsável totalmente pelo setor e suas demandas internamente. Entretanto, quando o fazem, elas atuam em conjunto, de acordo com o que foi combinado.

Se a agência contratada só faz produção de conteúdo para a empresa, impresso e digital, por exemplo, a mesma ficará responsável por elaborar comunicados, jornais murais, atualização de portal e intranet, administração de rede social corporativa, conteúdo para apoiar algumas ações etc. Tudo com prévia aprovação do cliente, podendo ter demandas divididas entre agência e cliente ou de total responsabilidade de um ou de outro, não há uma regra.

A agência atua com um briefing detalhado desde a contratação – e para cada nova ação solicitada ela deve ter um briefing sobre o que se pretende fazer, como e com qual objetivo – para assim poder trabalhar nisso com segurança, propriedade, qualidade e atendendo as expectativas do cliente. Para isso são utilizados e-mails, telefonemas e reuniões sempre que necessário.

Lembrando que a agência pode ter um cliente fixo, com demandas já bem definidas e diariamente trabalhadas dentro de uma “rotina”, ou também executar apenas um ou outro “job” para aquela empresa, de forma mais pontual, mesmo que seja para ações de longa durabilidade.

Quando você atua numa agência, e isso serve para qualquer área da Comunicação, o cliente paga um determinado fee (forma de cobrança, taxa, pagamento) para a mesma, nele estão inclusos vários itens. Você trabalhará determinadas horas para aquela “conta” e pode ter outras “contas” sob sua responsabilidade (com horas delimitadas também), como pode ser um colaborador que atua exclusivamente para uma conta, a pedido do cliente e de acordo com o que foi acordado e pago.

Larissa Spicacci, relações-públicas, atuou com a área de CI na agência de Comunicação Ecco e conta um pouquinho sobre o que e como desenvolvia: “Comecei a atuar com CI quando iniciei um projeto de Consultoria de Comunicação. O projeto envolvia um estudo complexo sobre a organização-cliente para identificar seus pontos fracos, fortes e a melhorar e aperfeiçoar a comunicação dele com todos os públicos com os quais se relaciona. Isto, porém, só seria feito a partir do momento que trabalhássemos na otimização daquilo que não estava funcionando como deveria no âmbito da comunicação. No decorrer do estudo, percebeu-se que o maior problema do cliente era a Comunicação Interna. Por isso, o resultado do projeto, o Plano de Comunicação, contava com inúmeras ações nesse sentido. Minhas atividades durante o período de construção desse plano foram baseadas em estudos e entrevistas com funcionários de todos os níveis da organização. Após concluído, passaram a ser o acompanhamento do processo de inserção das ações. Porém, como profissional de atendimento também, simultaneamente, atuava no suporte na realização de eventos internos: planejamento, cotação com fornecedores e alinhamento dos materiais de divulgação; e também, como suporte na elaboração dos materiais de comunicação interna da empresa. Tudo isso era alinhado com o setor de Comunicação do cliente. Muitas vezes eles nos passavam textos de materiais internos de divulgação e nós, como consultores/agência, ajudávamos na construção de uma mensagem que estivesse mais alinhada com os resultados que gostaríamos de alcançar nessa nova fase de Comunicação Interna da empresa.”

ci03

Numa agência normalmente os profissionais são identificados por:

  • Atendimento – O profissional que faz a interface com o cliente, ficando responsável pelo contato direto com o mesmo, que procura atender, entender, analisar as suas solicitações e as repassar aos departamentos específicos para, então, trabalharem nelas. As tarefas não são limitadas a isso, mas esta é sua principal responsabilidade;
  • Criação – Esta área pode ser separada em criação textual e visual (artes/design). É o profissional que recebe o “job” do atendimento e vai executá-lo, criando sugestões de materiais com base em conceitos, buscando se aproximar o máximo possível do que foi solicitado, para então apresentar a peça ao cliente;
  • Planejamento – Faz a parte estratégica dos “jobs”. Atua em conjunto com as outras categorias – de atendimento, criação, coordenação e direção -, e planeja o desenvolvimento da ação, campanha ou peça, de acordo com o que foi passado pelo atendimento. É ele que vai “amarrar” os itens e dar um “valor” de acordo com as características, necessidades, mercado e análises da empresa. Dependendo do modelo de atuação, o gestor ou o próprio atendimento assume esta responsabilidade;
  • Coordenação e diretoria – Profissionais de nível sênior e de grande conhecimento das técnicas e práticas adotadas pelo mercado, de acordo com cada perfil de cliente, para melhor executar a ação. Eles dão apoio estratégico e tático aos profissionais da linha de frente na condução dos “jobs, coordenando-os e direcionando-os.

Perceba que, assim como em empresas, nas agências os níveis de assistente, júnior, pleno e sênior e suas funções são bem definidos. Numa empresa, o modelo não foge muito deste adotado pela maior parte das agências, mas lá você terá, dependendo do cargo e políticas, mais autonomia para discutir ações, estratégias e seu desenvolvimento.

Para Spicacci funcionava assim: “Na rotina com os outros setores, minha maior relação era com a área de criação (design gráfico), já que, na ocasião, eu, além de fazer parte do setor de Planejamento, atuava como atendimento desse mesmo cliente. Apesar da demanda ser grande, acredito que funcionava bem na agência, pois a maioria das demandas diárias fazia parte de alguma ação proposta no Plano de Comunicação elaborado, e que eu, por estar mais por dentro da realidade organizacional da empresa, conseguia resolver num prazo menor.”

A agência precisa estar em sintonia com a organização para entender, de fato, o seu pedido e as suas demandas rotineiras e saber assim executá-las da melhor forma, estando preparada para atuação também em possíveis contratempos, tais como as crises.

Ela, quando conquista a confiança do seu cliente, pode e deve orientá-lo com relação ao planejamento e desenvolvimento de ações e até em algumas condutas e tomadas de decisões – entendo que esse é um papel de parceria que ela executa, ela também foi contratada para isto e deve se posicionar como tal. Mas, lembre-se, a decisão final cabe ao cliente.

A agência também pode executar outras tarefas, como planejar e organizar eventos, ações e campanhas, produção de materiais, trabalhar com pesquisas de clima, monitoramentos e análises (em cima de budgets). As atividades de produção de conteúdo foram citadas acima apenas para ilustrar um pouco uma das possibilidades de contratação deste tipo de serviço.

Uma das atividades que demanda mais tempo nesse processo todo é a produção dos materiais gráficos para eventos internos e para e-mails marketing, jornal mural, cartazes etc. E, dependendo da relação empresa-agência, é a agência que vai atrás de fornecedores para tudo o que for possível, desde fornecedores maiores para objetivos maiores até pequenos itens como decoração e utensílios.

“Mas, é claro, antes dessa parte mais operacional, de contato com fornecedores, nós mostrávamos pra eles um monte de ações estratégicas pra esse evento, pensando sempre nas necessidades da empresa, naquilo que realmente vai impactar positivamente o funcionário, o fazendo se sentir valorizado. Nada era feito só porque era ‘legal’. Várias reuniões aconteciam antes de algo ser decidido de fato, e tudo sempre trabalhado dentro do budget disponível para o evento.”, afirma Larissa.

Fonte: Agência Fish Comunicação

Fonte: Agência Fish Comunicação

Ela conclui: “Acredito que as duas experiências (atuando em empresa ou em agência) são válidas e geram valor para a organização, mas há um ponto específico em que, em minha opinião, elas se diferem: em uma agência os profissionais conseguem elaborar um ótimo estudo sobre o cliente, mas eles não vivem a realidade da empresa, não estão lá diariamente para observar realmente tudo que acontece. Portanto, se não há alguém na empresa que, de fato, ‘abrace’ a causa e reconheça a importância do projeto para deixar a agência ‘a par’ de tudo, pode-se perder oportunidades importantes de atuação. O essencial é que exista um profissional dentro da empresa com um olhar mais estratégico focado em CI para atuar como um parceiro da agência. Já analisando o trabalho realizado na organização apenas, acredito que o profissional pode não captar algumas oportunidades de melhoria. Por viver aquela realidade diariamente, alguns fatos podem passar despercebidos ou como ‘normais’ por ele, coisas que muitas vezes só alguém de fora consegue captar como um problema e propor uma solução estratégica. É claro que, nos dois casos acima, não são fatores que comprometam o resultado de um projeto de CI, são apenas observações sobre o tema, cada caso é um. Atualmente, as agências especializadas têm realizado um trabalho incrível em Comunicação Interna, assim como muitas empresas que centralizam esse trabalho em suas sedes.”

Resumindo, muitas empresas possuem muitas demandas da área de Comunicação Interna e Endomarketing e buscam em agências (às vezes até mais de uma, caso queiram obter o melhor de cada uma em serviços específicos e bem separados) um “braço direito”, num trabalho de parceria para a divisão e execução do seu trabalho em todas as suas etapas. Na maioria dos casos, o profissional que atua na agência vai precisar ter praticamente as mesmas habilidades, capacidades e conhecimentos que precisaria se atuasse diretamente na organização, já que ele lida com o mesmo tipo de trabalho e enfrenta oportunidades e desafios parecidos.

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E aí, já conseguiu se decidir? Não? Espera que temos mais textos para te ajudar. No próximo post da série falaremos sobre a atuação dos relações-públicas em CI e Endomarketing e a disputa que há nesse mercado com outras áreas da Comunicação e fora dela. Até breve! 😉

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Um pensamento sobre “#03 – Por dentro da Comunicação Interna e Endomarketing: atuar em empresa ou em agência?

  1. Republicou isso em Michele Boine comentado:

    E hoje saiu o terceiro texto da minha série. Você, profissional de CI e Endomarketing ou que quer seguir carreira na área, será que o seu lugar é em agências ou organizações? Acesse o link, leia o texto e descubra! 🙂

    ‪#‎vemamarCI‬ ❤

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