Sobre “Chefe Secreto”, liderança e Comunicação Interna

chefe secretoPor Michele Boin

No dia 13 de setembro de 2015, um novo quadro do Fantástico, programa dominical tradicional da emissora Globo, se iniciava. Inspirado na série televisiva francesa em formato reality showUndercover Boss – criada por Stephen Lambert, produzida em muitos países e popularmente conhecida pela versão americana da rede internacional CBS -, “Chefe Secreto” também chamou a atenção dos brasileiros, principalmente dos seus comunicadores.Fantastico-undercover-boss-chefe-secreto-640x320

A versão exibida no Brasil estreou com o gaúcho Valdo Marques, diretor administrativo financeiro da Stemac, maior fabricante de grupos geradores de energia elétrica do país, dominando 60% deste mercado.

Após uma transformação e mudança radical no visual, ele saiu do conforto do escritório e se transformou em Marcos Júnior, um “novato” que passa por um período de experiência na empresa. Com isso e a desculpa de que está participando de um vídeo institucional para poder ser acompanhado por câmeras, ele trabalha no “chão de fábrica” de várias unidades da empresa e tem contato com coisas e pessoas que nunca teve antes.

A experiência de Marques se encerrou já no domingo do dia 20 de setembro. Com ela, pudemos acompanhar a sua atuação com várias áreas diferentes de nível hierárquico mais baixo da empresa, algumas delas respondem diretamente ao seu departamento “real”.

Nesse período, Valdo, então Marcos Júnior, conheceu diversos funcionários com muitas característicasext e sonhos diferentes: teve o cara que era um dos que mais entendia de mecânica na fábrica, mas fazia piadas e tirava “sarro” do novato, além de não ter terminado o Ensino Fundamental; um colaborador do almoxarifado que só via o filho em sono profundo porque acordava cedo para trabalhar e depois ia direto estudar, dormindo apenas 4h por noite, mas sempre muito solícito e paciente com o novato; o outro, motorista, muito envolvido com o trabalho ao ponto de até não parar para almoçar e descansar, e também se preocupava muito com o problema da “cegueira” repentina da filha; e, por fim, um peruano que vive no Brasil há muitos anos e tinha o sonho de levar a família para a Disney.

O fim de cada uma destas histórias foi: pontos a serem melhorados foram repassados ao mecânico, que recebeu uma oferta de promoção para coordenar um gerador com a condição de retomar os estudos, pagos pela empresa; o rapaz do almoxarifado ganhou uma bolsa de estudos para incentivá-lo a continuar sua vida como estudante e trabalhador, também foi promovido e recebeu um aumento de 35% no salário;  o motorista ganhou uma viagem para ver a família que não visitava há cinco anos e teve o tratamento de sua filha totalmente pago com a condição de parar para almoçar e descansar diariamente; e o peruano teve sua viagem com a família paga.

Além disso, falhas grandes de comunicação foram percebidas, assim como o mau funcionamento operacional de instrumentos e processos que dificultavam e atrasavam o trabalho, dentre outras coisas. Tudo isto foi informado aos demais diretores e solucionado da melhor forma possível.

No decorrer do quadro, outros gestores de outras empresas se disfarçarão e enfrentarão alguns mesmos desafios e muitos outros. Confira aqui todos os episódios já exibidos pelo programa: http://g1.globo.com/fantastico/quadros/chefe-secreto/index.html.

chefe-secreto-tv-tribuna-3Daí vem a pergunta: e por que isso chamou a atenção dos comunicadores? Então leia tudo novamente, agora nas entrelinhas, e perceba a grande ferramenta de liderança e comunicação interna que se encontra nesse quadro.

Um gestor que se envolve na rotina dos funcionários de nível hierárquico mais baixo, sem afetá-la, passa então a conhecer na prática o trabalho dessas áreas, as pessoas que estão na linha de frente do mesmo e como elas o executam – e se estão ou não motivadas, sendo reconhecidas, e o porquê -, os problemas operacionais, estruturais e comunicacionais que eles enfrentam diariamente, como eles enxergam a liderança e o funcionamento e logística da empresa, dentre outros detalhes.

Claro, deve haver um preparo, inclusive no sentido psicológico/emocional por parte do gestor que enfrenta uma tarefa dessas, pois, caso contrário, a ferramenta positiva se tornará uma “arma” contra os próprios funcionários, porque fofocaram de x pessoa, fizeram x coisa errada etc.

Mas, uma coisa é fato, as pesquisas de opinião realizadas anualmente por boa parte das organizações, dentre outros sistemas de avaliações periódicos falham – e muito! –, pois esbarram em questões como medo de exposição e repreensão por parte do funcionário, mesmo no anonimato, interpretações errôneas, fases pessoais e profissionais do funcionário que afetam em como ele se sente e em como vai expressar isso durante a aplicação da pesquisa, entre outras coisas.

O sistema do “Chefe Secreto” permite à alta administração da empresa a ter acesso a uma infinidade de informações de forma sucinta e eficiente, que dificilmente teria de outras maneiras. A vivência na prática também ajuda a criar um laço de empatia com esses profissionais e entender e valorizar mais os problemas passados, e, também, as características que eles apresentam e em como isso reflete no seu desempenho, positiva ou negativamente.

Assim, é possível identificar claras falhas operacionais, de comunicação e de gestão de uma empresa, facilitando no processo posterior de condução das mesmas, pois se sabe exatamente os pontos em que se precisa mexer e, atuando em conjunto com outros gestores, qual é a melhor forma de fazê-lo. Além, também, de certificar-se quanto à eficiência de programas de reconhecimento e, em caso negativo, quais adaptações são necessárias para tal.

Conhecendo o processo de trabalho, as áreas, o próprio trabalho, seus profissionais, suas motivações e o que está certo ou errado é um belo de um primeiro passo para mudanças verdadeiramente assertivas e que impactem, dessa vez para melhor, em todo esse processo de trabalho e no consequente lucro da organização e força do valor da sua marca.

Concordando ou não comigo, a melhor dica que eu posso dar hoje é: acompanhem o quadro e aprendam com ele! São os pequenos detalhes, muitas vezes ignorados ou que passam despercebidos, que fazem toda a diferença no seu negócio. 😉

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