EnegreceR[P] | A sociedade evoluiu, mas o racismo ainda é um assunto esquecido

sergioHoje recebemos a visita de Sérgio Marques, 26 anos, Graduando em Relações Públicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele, que é militante do Movimento Negro desde a adolescência, atualmente é membro do Coletivo de Estudantes Negros da UFSM – AFRONTA (COLETIVO AFRONTA).

Acredito que existe uma disparidade no ambiente acadêmico não só da comunicação e do curso de Relações Públicas, mas em praticamente todos os cursos de graduação, devido uma questão social, em função de uma falta de incentivo e de melhoramento na educação básica.

Vivemos em uma sociedade em que a imagem social é baseada na cultura do branqueamento, considerando o fato de a mídia contribuir para a manutenção do preconceito e estigmas, ainda rotulando o negro com estereótipos, a mulher negra continua associada a funções segundo o imaginário popular (faxineira, fanqueira…). As escolas e universidades não estão preparadas para trabalhar com a questão racial, uma vez que os profissionais que atuam nessas instituições também não foram preparados para trabalhar com a questão. São poucos os capacitados e poucos que buscam se capacitar! A sociedade evoluiu em muitos aspectos (tecnológicos, digitais, e assim por diante…), mas o racismo ainda é um assunto que é esquecido ou “tapeado”. Temos mais de 70% da juventude negra sendo exterminada pela sociedade, temos um genocídio negro em que a mídia não divulga, e quando tentamos explicar ou até então protestar sobre o assunto, somos “taxados” com o “vitimismo” ou “mimimi”. Temos um sério problema que ultrapassa a questão social e o que está sendo feito pela sociedade para solucionar isso?

A sociedade, historicamente, rotulou o negro como um povo subalterno e subdesenvolvido, devido à atual situação em que os afro-descendentes (usando uma nomenclatura que julgo de branqueamento) se encontram em nosso país, em decorrência de fatos históricos, sociais e culturais são necessárias políticas e iniciativas de valorização e afirmação da nossa identidade negra. O sistema de cotas, por exemplo, é uma questão de OPORTUNIDADE! As universidades abrigam, em sua maioria, pessoas de “cor branca”, resultando a valorização apenas do pensamento de um segmento étnico na construção das soluções para os problemas atuais de nossa sociedade. O negro não tem oportunidades comuns às do branco e isto faz com que ele não tenha acesso à boa educação, ocupando, na maioria das vezes, posições, como já comentei, subalternas, sem a chance de ter um cargo de prestígio social. Mesmo tendo este acesso, ainda é precário o sistema, pois não adianta termos a oportunidade e não trabalharmos com a permanência desses estudantes. Acredito que devemos investir mais na educação, mas em seu nível básico para que mais a população negra consiga chegar e usufruir do sistema de cotas nas universidades.

Do meio em que socializo, conheço, além de dois colegas de turma, um calouro do curso e uma RP formada que não atua na área. Isto com um recorte de 44 turmas que passaram pela UFSM. Creio que teremos uma transformação social, no momento em que o próprio negro se reconhecer como sujeito de sua história, que consiga discernir o que o a mídia retrata do que de fato ele é, e quando nós, negros, enquanto profissionais de Relações Públicas, que temos condições e uma posição social favorável, entendermos nosso papel de “abrir portas”, “abrir caminhos” e batalhar para mais negros virem a ter oportunidades e visibilidade na sociedade.

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