Intercâmbio VRP com Rafael Alberico – Por que os alunos de hoje não querem se tornar os professores de amanhã?

Um ministro da ciência e da inovação que nunca fez uma pesquisa. Universidades que pressionam os alunos por resultados mercadológicos, e nunca científicos. Como mostrar o caminho da ciência de uma maneira atrativa, em um país pouco inovador? Eis o desafio geral dos atores citados acima, e deste post.

Mas primeiro: quando foi que os alunos de graduação começaram a desistir da vida acadêmica?

Ensino público jogado às traças. Ensino privado focado na carreira. Será a docência pouco atrativa, tanto em termos desafiadores quanto na questão financeira? Ou que a falta de holofotes faz com que os alunos nem considerem essa possibilidade? Sem dúvidas, que isso também passa por uma transformação na maneira como uma boa parte dos professores atuais, ainda funcionando em um modelo de ensino antiquado lidam com os seus alunos, mas isso é um outro assunto (grande e reflexivo, diga-se de passagem) e fica para um próximo post.

Em contrapartida, a vida do mercado é vendida pelas universidades como um oásis, com salários astronômicos e muito glamour. É quase regra, em tempos de crise e falta de alunos, as universidades vendendo os seus cursos como verdadeiros imãs de empregos. Será que é só isso mesmo que importa? Um país que não tem cientistas, é capaz de ser competitivo? Que o governo é o maior culpado, não temos dúvidas. Mas qual a postura que as universidades devem tomar diante essa situação?

Uma provocação aos graduandos que lerão este conteúdo: já fui daqueles alunos, que no final da faculdade, contestava professores mestres e doutores e dizia que tinha condições profissionais e experiência comprovada para lecionar já naquele momento da vida, ainda saindo das fraldas. Bobo que era. A ciência é absolutamente necessária. Mais ainda na era de transformações sociais e tecnológicas na qual vivemos.

Será que a nova dinâmica de acesso à informação diminuiu o papel do professor na visão do aluno? O aluno se acha mais inteligente, e, consequentemente, menos dependente do professor nesse ciclo da vida? E isso faz com que essa profissão nem seja considerada por grande parte dos jovens estudantes?

Apenas para que fique claro: você sabe que pode conciliar essas duas vidas, certo (acadêmica e profissional)? Fica a reflexão e o espaço para a discussão.

Para finalizar: na minha opinião, ser professor é ter paixão por criar e compartilhar. É dar espaço ao debate, ouvir opiniões divergentes e respeitar. Nada menos contemporâneo do que qualquer rede social.

Mas e então: como seduzir os alunos atuais a experimentar a ciência, como experimentam o cinema, a música e outras contemporaneidades? Fica o desafio para governo e universidades, e a interrogação para nós, pesquisadores e docentes.


Rafael Alberico é pesquisador de sports management e faz parte do GEPECOM – Grupo de pesquisas em comunicação e marketing no esporte da EEFE USP. Possui mestrado em comportamento do consumidor esportivo, com um módulo cursado na renomada Universidade de Massachussets (UMASS), nos EUA. É professor universitário e profissional freelancer de redação e conteúdo.

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