O que podemos aprender com Tite

Treino do Corinthians

LANCEPRESS! – (Brasil Out) – São Paulo – 25.10.2013 – Foto de Miguel Schincariol/Lancepress! – Treino do Corinthians – CT Joaquim Grava – NF: Tecnico Tite durante coletiva

Por Diego Galofero

Ah Corinthians… me inspirando desde 1981, entre glórias e derrotas, és tu um dos motivos de felicidade garantida em minha vida. Meu texto de hoje vai envolver uma pessoa que já tem seu lugar de destaque na história do clube de Parque São Jorge, vou falar sobre Adenor Leonardo Bacchi, ou simplesmente, Tite.

Sobre o Tite

Gaúcho de Caxias do Sul, Tite foi jogador profissional de futebol na década de 80 e jogou por clubes como Portuguesa e Guarani, ambos de São Paulo. Após encerrar sua carreira de jogador, graduou-se em Educação Física na PUC Campinas e treinou alguns times do Rio Grande Sul nos anos 1990, aparecendo para grande mídia nacional como treinador apenas no ano 2000, treinando e sendo campeão gaúcho em cima do Grêmio pelo modesto Caxias. E foi justamente no tricolor gaúcho que teve sua primeira chance em um grande clube em 2001. Inclusive, foi campeão da Copa do Brasil do mesmo ano em cima do Corinthians.

Na temporada de 2004/2005 chegou pela primeira vez ao Corinthians, justamente em um momento nebuloso para o clube paulista, pois o mesmo tinha feito uma parceria polêmica com o fundo de investimentos MSI (Media Sports Investment), um grupo que era investigado até pela Interpol por suspeita de lavagem de dinheiro. O presidente da MSI era o magnata russo Boris Berezovsky e no Brasil era representado pelo iraniano Kia Joorabchian, justamente em um episódio envolvendo o Kia que eu destaco a primeira qualidade de Tite, que nós RPs – que seria de bom grado termos: ter crença que está fazendo o melhor trabalho possível, apesar das adversidades e críticas.

Honra e profissionalismo

O técnico de um time é a autoridade dentro de um clube no que se refere ao time que vai jogar – quem entra, quem sai etc. Lembra do Kia, que falei agora pouco? Então, ele não queria que o Tite fosse o treinador do Corinthians na ocasião, ele tinha outros treinadores em mente, mas acabou que a negociação do Tite deu certo e este era o treinador do time que contava com a estrela argentina, Carlitos Tevez.

No dia 25 de fevereiro de 2005, o Corinthians perdia de 1 a 0 para o São Paulo quando surgiu uma oportunidade do Timão empatar após a marcação do um pênalti a seu favor. O lateral direito Coelho bateu a penalidade e perdeu. Após o jogo, o iraniano desceu aos vestiários para dar broncas e falar para o Tite que quem tinha que bater a penalidade seria a estrela do time na época e seu “protegido”, Tevez. Tite não aceitou tal cobrança por acreditar no que fazia e mostrando muita hombridade – outro aspecto bacana para nós adotarmos, pediu demissão.

Ou seja: a cultura organizacional naquele momento não era boa para ter uma pessoa de valores no Corinthians daquela época, e com isso podemos fazer uma análise que por muitas vezes nós não conseguimos se afirmar em uma instituição justamente pelo seu clima organizacional e não por incompetência. Não devemos nos abater vide o Tite.

O retorno (porque profissional bom nunca será esquecido)

Essa hombridade pode ser notada novamente em sua segunda passagem pelo Corinthians, que começou em 2010 . O clube tinha uma grande obsessão chamada Taça Libertadores da América e perder nesse campeonato era motivo de crise. Em 2011, com um time que contava com Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, o time perdeu no confronto mata-mata que antecede a fase de grupos da Taça Libertadores para o Tolima da Colômbia, foi uma vergonha enorme.

Qualquer técnico pediria demissão após esse grande fiasco, mas Tite permaneceu na equipe amparado pelo então presidente Andrés Sanchez. Adenor utilizou algo que é uma característica RP, o pensamento a longo prazo. Ele desenvolveu estratégias, se reciclou, trouxe seus comandados para perto de si e naquele mesmo ano venceu o campeonato Brasileiro.    

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Quem vence o Campeonato Brasileiro tem o direito de disputar a Taça Libertadores direto na fase de grupos e o Corinthians conquistou o tão sonhado título em 2012. Dentro de campo não faltou raça, e fora dele tinha um grande comandante que mais uma vez mostrou que poderia ser um excelente profissional de RP, seu modelo de liderança era (é até hoje) horizontal. Ele é o “chefe”, mas seus colaboradores tem voz e nada é mais gratificante em um emprego do que um gestor que converse de igual com a gente.

Intercâmbio profissional

Olha aí mais feito do Tite que podemos nos espelhar: em 2014 seu contrato acabou e o então presidente do clube, Mário Gobbi, não renovou mesmo depois de dois anos de grandes glórias, Tite começaria o ano de 2014 desempregado. Pensa que ele ficou parado se lamentando? Que nada, foi para o exterior para fazer uma espécie de estágio com treinadores que ele admira como o Carlo Ancelotti, até então treinador do Real Madri da Espanha. Ele mostrou que quando o momento é de adversidade, é preciso utilizar os planos de B a Z.

Por fim, saliento a questão de entender e saber lidar com seus diversos públicos. Dentro do clube, ele é admirado e respeitado desde a  “tiazinha do café” até o presidente, por saber justamente com quem trabalha e como deve ser o trato com esses.

Só para não perder a mania, Vai Corinthians .

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