#01 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Oie!

Começamos aqui mais uma nova série: ‘Mudei de país, e agora?’ vai falar um pouco sobre a experiência que jovens, durante a realização de intercâmbios, tiveram em um país que não o seu, longe de sua família e amigos, convivendo e se adaptando a outra cultura, gastronomia, clima e perfil. Nossos entrevistados contarão um pouco dos principais desafios enfrentados e as conquistas obtidas a partir dessa aventura em busca de mais conhecimento e experiência de vida.

Hoje, quem veio contar um pouco da sua história para nós é a Jéssica Ribeiro, 24 anos, formada em Ciências Econômicas pela FSA-Fundação Santo André. Moradora do ABC Paulista, em agosto de 2012, quando estava em seu segundo ano de faculdade, ela partiu de malas feitas para  Vancouver, no Canadá, onde ficou por quatro semanas. Confira abaixo o que ela nos fala sobre as suas vivências nesse país até então desconhecido por ela.

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Jéssica: Eu tive interesse e comecei a pesquisar agências e fazer orçamentos em todas (todas mesmo!). A que eu mais me identifiquei foi a que eu fechei o pacote.

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Viagem de Jéssica Ribeiro para Vancouver, Canadá

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Jéssica: Nunca havia viajado para o exterior antes do intercâmbio.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Jéssica: Tinha inglês intermediário. A diferença é muito grande, pois o aprendizado diretamente com nativos é muito mais intenso do que em cursos regulares no Brasil. Fiz curso lá de 20h semanais. O material utilizado é muito parecido com o que utilizamos aqui, mas ter professores nativos faz toda a diferença.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Jéssica: Eu queria algo diferente e que eu pudesse ter um aprendizado mais eficaz em um lugar diferente. Pensei em crescer profissionalmente, com um melhor currículo, e com experiências no exterior eu teria maior “vantagem”.

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Jéssica: Eu morei na casa de uma família de filipinos, onde havia um casal e três crianças. Além de mim, havia mais cinco estudantes, sendo dois coreanos, um japonês, um brasileiro e um chinês.

Eu andava pela cidade e para estudar era de transporte público – que por sinal era sensacional em questão de facilidade, valor, agilidade e praticidade. Como eu fechei o intercâmbio numa agência, peguei pensão completa na casa. Então eu tomava café da manhã na casa, fazia um lanche para o almoço (comia no intervalo da escola) e jantava em casa também. Nos dias de folga que eu passeava, eu comia onde dava. Não me importei tanto com isso lá (risos).

Era bem fácil fazer amizades nesses lugares, principalmente nas escolas, pois todos estão na mesma “situação”: num lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas e falando outra língua, então todos estão carentes de amizades. Com alguns nativos de outros países é bem difícil de entender no começo, mas depois conseguimos nos entender.

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Jéssica: Minha família “canadense” era de filipinos, e eu me senti em casa desde o momento em que eu cheguei. Assim que eu cheguei, minha “mãe” já me perguntou o que eu não gostava de comer pra ela não fazer, então já me senti exclusiva. Eu podia fazer o que eu quisesse na casa! Não haviam restrições: eu podia comer o que eu quisesse, na hora que eu quisesse; podia tomar mais de um banho por dia (tem lugares que não permitem isso), enfim… Basicamente, a única regra era avisar se fosse voltar tarde no dia que saísse.

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Viagem de Jéssica Ribeiro para Vancouver, Canadá

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Jéssica: A diferença foi extrema! As pessoas são muito mais educadas nos transportes públicos, não há sujeira nas ruas, os ônibus/metrôs não têm catracas. O respeito para com o pedestre é muito “forte”, pois se não tem semáforo, os automóveis param para que você atravesse a rua. A única coisa que eu sentia falta era de mais carisma, as pessoas são mais frias por lá. Não tem todo esse sorriso que o brasileiro tem no rosto. Os costumes são bem diferentes dos nossos, principalmente na comida. Não comi feijão por quatro semanas (senti muita falta), mas comia panqueca três ou quatro vezes na semana, e era maravilhosa! A comida no geral era muito boa, mas sem muito tempero.

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Jéssica: Um vazio interno. Como se tivesse deixado uma parte de mim lá. Não que seja tão ruim assim aqui, mas a minha experiência foi tão boa que a minha vontade era de não voltar mais. Me senti em casa lá.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Jéssica: Ainda tenho contato com o pessoal da casa, não tanto com as amizades que fiz, pois eles são bem mais reservados. De vez em quando nos falamos pelo Facebook, sentimos muitas saudades.

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Jéssica: A única dificuldade era acordar com os corvos “gritando” na janela. hahaha!

No começo é complicada a adaptação da língua, mas, após uma semana, já é possível falar tranquilamente sem tantas dificuldades. Você começa a pensar em inglês, tanto que as vezes é mais fácil lembrar de alguma palavra em inglês do que em português.

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Viagem de Jéssica Ribeiro para Vancouver, Canadá

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Jéssica: Sem dúvidas! Eu faria porque a experiência é fantástica! Faria por mais tempo do que eu fiz, por pelo menos seis meses. Eu voltaria para o Canadá, para conhecer mais lugares por lá, mas meu grande sonho é fazer isso na Austrália.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Jéssica: Eu mudei muitas formas de ver a vida, de agir, e principalmente consegui melhorar minha carreira profissional, mudando de emprego para uma empresa melhor.

VRP: Qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Jéssica: Eu fiz Ciências Econômicas, e muitos artigos e livros são em inglês. O intercâmbio ajudou muito a compreender melhor sem maiores dificuldades. Na vida profissional, fortaleci meu currículo e consegui um emprego melhor.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes?

Jéssica: Vá sozinho e aproveite cada segundo! Não faça amizades com brasileiros, a não ser que eles queiram falar apenas em inglês. Troque informações das culturas dos outros intercambistas de outros países, é super interessante.

Para finalizar, ela indica:

que todas as pessoas que buscam um aprendizado mais rápido, com mais experiências, façam um intercâmbio. Mesmo que o dinheiro esteja curto, dá pra fazer. Eu paguei a maior parte do meu, fui super apertada de dinheiro e valeu cada centavo, cada canto que eu conheci, cada pessoa que eu conheci. Façam intercâmbio!!!

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Por hoje ficamos por aqui. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com 😉

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