A difícil (porém, prazerosa) tarefa de ser comunicador

Por Carolina Terra

Estava navegando nas mídias sociais, como sempre faço, e me deparei com a divulgação de uma vaga de gerente de comunicação. Curiosa para saber o que pediam, fui lá olhar quais eram as atribuições e competências necessárias.

Ao que começo a ler o “job description” da posição e das habilidades requeridas, me dei conta de que nos dias de hoje, extrapolamos e, muito, apenas as funções restritas ao universo da comunicação.

Além das tradicionais habilidades ligadas à relacionamento com a imprensa, com influenciadores (on e off, diga-se de passagem), a função requeria habilidades de gestão de pessoas, de budgets/orçamentos, de fornecedores; relacionamento com governo (public affairs); gestão de crises; mapeamento de riscos e temas sensíveis; mídias sociais; gestão de todos os canais de comunicação da organização; media training; processos; capacidade de gerir também toda a América Latina; avaliação e mensuração; relacionamento com a área comercial/de vendas; relacionamento com as áreas internas da companhia; formação de sucessores; contratação, demissão e desenvolvimento de talentos; e elaboração de reports e relatórios mil!

Depois dessa enxurrada de exigências, me pergunto: como conseguir dar conta de tamanho desafio? E é aí que me lembro que desde os bancos da universidade ouvimos diversos chavões que soam como distantes, mas que um dia entenderemos ou sentiremos na pele: o profissional de comunicação/RP tem que ser flexível, ter jogo de cintura, capacidade de negociação, de liderança, de gestão (de equipes e de budgets), tem que saber falar línguas (sim, porque pediam inglês fluente, mas espanhol fluente como altamente desejável)…entre outros tantos.

O que me alegra, por um lado, é a necessidade de um “cara” (ou uma “cara”, antes que vcs me crucifiquem!) com esse perfil. O que me desanima é o quanto os estudantes de comunicação torcem o nariz para disciplinas de gestão, de exatas, de estatística, de RH, de psicologia. Nem só de técnicas e planejamento de RP vive um profissional, gente. Tem um meme que circula na rede que traduz essa minha tristeza em relação a quem escolhe humanas, mas, principalmente comunicação:

 

Sem título

Se você quiser ser um futuro GESTOR na área de comunicação, liberte-se dos preconceitos com os números. Não estou falando que você deve se tornar o próximo Alan Turing ou o Oswald de Souza. Só não se feche para a possibilidade de ter que entender de números, orçamentos, negociações, negócios, métricas, avaliações…

Respire fundo, invista em você e na sua formação e comemore: nunca fomos tão necessários dentro das organizações. Há uma necessidade clara de relacionamento, diálogo e comunicação dentro das organizações e delas para fora. Relacionar-se bem é o novo pretinho básico.

 

Boa sorte! 😉

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Um pensamento sobre “A difícil (porém, prazerosa) tarefa de ser comunicador

  1. O texto chama a atenção para um fato preocupante. Na ânsia de defesa da nossa formação/profissão, lançamos mão de autores que, em maioria, defendem mais, no errepê, um viés ‘gerente’. E um típico gestor não tem sido o modelo médio do egresso dos bacharelados em RP atuais. Os cursos precisam mudar (as novas DCNs estão aí, para vigorar neste 2016, e propiciam isto) e os estudantes que escolhem RP, também, atentando para os conteúdos bem lembrados pela ‘craque’ Carolina Terra. Marcondes Neto.

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