#04 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Oi, oi, oi!

Hoje o Versátil RP parou na Irlanda para falar com a Cindy Santos, relações-públicas formada em 2014 pela Faculdade Cásper Líbero, e que desde março de 2015 está em intercâmbio no país. Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?
Cindy: Irlanda, cheguei em março de 2015. O plano é ficar mais dois anos.

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Viagem de Cindy à Irlanda e passeios pela Europa durante o período

VRP: Como conseguiu a oportunidade?
Cindy: Via agência de intercâmbio.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?
Cindy: EUA, quando eu era criança, para férias em família.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?
Cindy: Eu sabia me virar, mas estava longe de ser fluente. Vir para um intercâmbio com nada da língua do país é perda de tempo e dinheiro. Alguns amigos meus fizeram isso e se arrependem muito! Veja que o básico a gente aprende num curso semanal no Brasil facilmente. Aqui é o momento pra você praticar o que você já sabe, adquirir vocabulário e treinar seu ouvido – que e o mais difícil.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais são seus planos, sonhos e ambições com isto?
Cindy: Quero ser fluente. Nada menos do que isso. Esse sonho leva tempo e investimento, mas será ótimo pra minha carreira e me põe em contato com o resto do mundo. O mundo é um lugar muito grande pra gente se limitar ao quintal de casa.

VRP: Quais são suas condições no exterior?
Cindy: Apertada. Morei com uma família nos primeiros dois meses: uma decepção! É a opção mais cara de acomodação, mas você opta por isso porque quer interagir mais de perto com a cultura do país. Mas isso depende pra onde você está indo. Aqui na Irlanda, intercâmbio estudantil é um mercado gigante! O centro da cidade é tomado por estrangeiros. Então, muitas famílias recebem estudantes como fonte de renda, apenas, e não com envolvimento na nossa experiência. Você só é mais um na casa deles. Semana que vem chega outro e eles não vão lembrar seu nome porque nem estavam interessados.

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Viagem de Cindy à Irlanda e passeios pela Europa durante o período

A família que eu fiquei morava num ótimo bairro, mas muito distante do centro, da escola e de tudo. Eles me davam as refeições, mas não me autorizavam a ficar na casa, só no meu quarto. Era claustrofóbico. No começo, a dieta deles não me agradava muito, então tinha que comprar comida à parte e estocar no quarto, mas o mercado era longe e tinha que pegar metrô.

Já vi muitas famílias aqui que não permitem o estudante ficar em casa o dia todo. Das 8h às 20h tinha que ficar fora de casa. Mesmo quando não tinha aula. Lembrando que quando chegamos aqui não temos amigos nem lugares para irmos. Fora que aqui é muito frio em qualquer época do ano, passar o dia no parque não é uma opção.

Depois dividi uma casa com alguns estudantes e foi bem melhor. Mas demorei para achar uma casa porque tem mais estudantes na cidade do que quartos pra alugar – o que faz o aluguel ser bem caro também. Outro ponto é que a cidade tem muito brasileiro, o que pode atrapalhar na sua imersão na língua. Então tive ainda mais dificuldade pra achar uma casa, pois queria uma que não tivesse brasileiros.

VRP: Você se sente bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?
Cindy: No geral, os irlandeses são muito prestativos e alegres. Mas, devido a alta quantidade de brasileiros no país, eles já não se surpreendem quando você diz que é brasileiro (a).

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?
Cindy: Estar em outro país é uma experiência muito maior do que aprender uma língua. Você tem que abrir sua mente e abrir mão de alguns hábitos. É assim que venho me comportando desde o início.

Uma das coisas que demorei a me adaptar é a dieta: almoços com apenas um sanduíche e jantar mais cedo e com mais comida. Outra coisa é que as pessoas, apesar de comunicativas, evitam contato físico. Abraço é algo para se dar em ocasiões especiais.

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Viagem de Cindy à Irlanda e passeios pela Europa durante o período

VRP: Quais são as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Cindy: Solidão. Há momentos em que você não tem amigos nem ninguém para perguntar como você está ou te dar um abraço. Há fases em que todos os seus amigos que você fez no curso estão indo embora para o Brasil. A sensação que fica é que você está sozinho, mas a tecnologia ajuda muito nesse sentido. Skype é a melhor coisa para lembrar que família e amigos estão sempre lá torcendo por você. Outro problema aqui é a procura por acomodação. Isso me tirou algumas noites de sono antes de encontrar uma que coubesse no meu bolso e atendesse minhas necessidades.

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?
Cindy: Faria, porém não para a Irlanda. O clima tem um peso muito grande no humor e ainda tenho dificuldades para me adaptar à isso. Outo fator é a quantidade de brasileiros. Querendo ou não isso atrapalha na imersão à cultura.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?
Cindy: Descobri que o mundo não é tão grande e à apreciar melhor o meu país. Aprendi que qualquer lugar tem defeitos, o que muda é em que nosso lar é melhor ou pior. Minha visão mudou em relação às diferenças culturais e, é claro, criei muito mais independência.

VRP: E como comunicador, qual é o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.
Cindy: Acredito que o inglês, especialmente para comunicação corporativa, tem um peso muito grande.

Cindy finaliza: Planeje-se e venha com inglês pelo menos intermediário. Isso faz seu investimento no intercâmbio ter mais resultados. E, se puder, venha com um amigo. Isso faz a sua vida fora muito mais tranquila e prazerosa. Mas, ao mesmo tempo, tente se enturmar com outras pessoas que não sejam brasileiras.

“É no dia a dia que realmente aprendemos a língua, não na sala de aula. Se fosse assim, ficaríamos fluente com cursos semanais no Brasil mesmo.”

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Por hoje ficamos por aqui. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com 😉

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