#05 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Olá!

A entrevistada de hoje é a Mallory de Souza Rodrigues, 22 anos, Bacharela em Relações Públicas pela Universidade Metodista de São Paulo desde 2014. Ela viajou para Los Angeles, nos Estados Unidos, e sua experiência durou 45 dias, de janeiro a fevereiro de 2014, quando estava no 7º semestre e último ano de faculdade. Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Mallory: Fui para Los Angeles, fiquei 45 dias, e a viagem aconteceu entre o começo de janeiro até o meio de fevereiro de 2014.

1512572_712894308755292_1833605016_n

Viagem de Mallory aos Estados Unidos

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Mallory: Sempre sonhei em fazer intercâmbio. Logo quando consegui um emprego em que minha renda era melhor, já fui atrás das agências especializadas nesse tipo de viagem. Me preparei durante um ano.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? 

Mallory: Nunca tinha viajado antes para o exterior.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Mallory: Não tinha fluência na língua, meu nível na época era intermediário. Eu percebi muita diferença! É visível o quanto você aprende mais rápido a falar devido a vida que você começa a ter lá. São 24h falando a língua nativa, no Brasil eram 2h, somente aos sábados. Por aí já percebemos a diferença.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Mallory: Optei devido a vários fatores: aprender uma nova cultura, acelerar meu aprendizado na língua inglesa, enriquecer meu currículo… Meu plano sempre foi crescer cada dia mais na minha carreira, e como todos sabem, a fluência na língua inglesa para o mercado de comunicação é essencial.

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Mallory: Eu optei por ficar em casa de família, e vou falar que foi a melhor coisa que eu fiz, pois eu era realmente obrigada a falar inglês 24h. Estudei na Kaplan, perto da Universidade UCLA, meu meio de locomoção era o transporte público, que super funcionava e não tive problemas. Aliás, usava ele para tudo! Somente quando a galera se reunia para ir em lugares muito longe, todos dividiam o aluguel do carro.

Quando você escolhe ficar em casa de família, você tem as duas principais refeições, que, no meu caso, era café da manhã e o jantar. Porém, a família que eu fiquei era demais, então não tinha isso com eles, eu podia comer a hora que quisesse. Eles foram maravilhosos comigo! Mas nem todos estudantes têm essa sorte, conheci muita gente que realmente a parte da refeição era bem regreda com as famílias: se não chegasse em tal horário não comia mais. Durante a semana eu não almoçava com eles devido a ficar tempo integral na escola, então separava um dinheiro para comer na rua. Já saí do Brasil ciente que isso aconteceria, então me preparei financeiramente, já que comida lá não é barata.

Vamos lá, amizades: a parte mais legal do intercâmbio! Aqueles que se tornam sua família durante aquele período. Não lembro muito bem como eu fiz amizades, foi muito natural, até porque todos estão no mesmo ‘barco’, vindo de outro país aprender uma nova língua, então tudo acontece. Mas lembro que no ‘welcome’ para novos alunos você já conhecia muita gente, e os brasileiros se juntam de uma tal maneira que quando você percebe já estão best friends.

Amizades gringas você faz quando você começa a ter aulas (devido a regra da escola de não deixar nativos de um mesmo país na mesma sala), aí você acaba fazendo amizade com eles. E deu super certo, porque conheci muita gente e aprendi muito com eles. Foi maravilhoso ter que lidar com algumas diferenças. No começo é estranho, lembro que meu grupo de estudo era um árabe e um coreano. Imagina como que era! Queria sair correndo no início, mas depois ficou normal e até hoje converso com todos.

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Mallory: Sim, não senti nenhuma diferença comigo por ser de outro país ou algo parecido. No início não sabia andar de ônibus e sempre me perdia, e uma vez voltei super tarde para casa e perdi meu ponto, fui parar em lugar super estranho e comecei a chorar muito. Fiquei desesperada na hora, o motorista percebeu, falou comigo e me levou de volta com o mesmo ônibus, sendo que o horário de trabalho dele já tinha encerrado, mas ele me ajudou porque realmente estava perdida. Então, esses pequenos detalhes eu percebi, e fiquei muito feliz por ter sido bem acolhida. Tive outras experiências que mostraram isso durante a viagem e posso garantir que fui bem acolhida por eles. Minha host family não tenho o que falar, foram perfeitos!

unnamed (4)

Viagem de Mallory aos Estados Unidos

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Mallory: Tive uma relação boa referente a diferença cultural, até porque os americanos não tinham costumes tão diferentes que fossem difíceis de se adaptar. Mas, algo que me chamou muita atenção, foi a facilidade que eles têm referente a algumas burocracias que aqui no Brasil é algo terrível. Por exemplo, lembro que para andar de ônibus pagando a metade da tarifa eu tinha que fazer uma carteirinha, aí pensei “isso vai da o maior trabalho”. Que nada! Foi super simples, fui até um supermercado, no caixa, e mostrei meu cartão da escola e meu passaporte, e na hora a carteirinha já saiu e paguei um valor “x” que eu poderia usar durante os 45 dias, e tinha o direito de andar de ônibus quantas vezes eu quisesse no dia. Achei demais porque o valor que eu paguei foi simbólico. Eles facilitam tudo na vida deles, e, quando me deparei com isso, percebi o quanto nosso país é atrasado em tantas coisas. Outro exemplo é que em alguns pontos de ônibus onde passam as principais linhas, existe um painel marcando quanto tempo falta para passar tal ônibus. As pessoas lá vivem com mais calma sabendo que não enfrentarão filas, que tudo vai acontecer no horário exato. Eles são muitos honestos com todos lá, você sabe que não vai receber o troco errado, que se você perder algo, por mais que o valor daquele objeto seja alto, você vai achar. Isso é algo que realmente foi um tapa na minha cara.

Voltei para o Brasil com o sentimento de tristeza por saber que o nosso país está tão atrasado em certos detalhes que fariam a diferença. E Los Angeles não é uma cidade pacata e pequena, é uma grande metrópole como São Paulo. As pessoas são tão honestas que não existe o “jeitinho americano” egoísta que temos em nosso país, de pensar somente em nós mesmos.

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Mallory: Sensação de uma pessoa mais experiente e madura. Desde o começo queria ter essa experiência, escolhi pagar a viagem com meu dinheiro sem ajuda dos meus pais, fui sozinha, não quis ir com amigas – pois queria aprender não só a língua mas aprender sobre a vida de como é sair debaixo das asas dos meus pais -, e realmente eu aprendi. Voltei com outros pensamentos, voltei uma nova pessoa.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Mallory: Claro! Minha host family fala comigo via Facebook, Whatsapp… Com meus amigos gringos também converso bastante. Até hoje temos um grupo onde, de vez em quando, começamos a conversar saber como cada um está, enfim…

 VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Mallory: Minha maior dificuldade foi a parte de comida. Estranho falar isso, mas pra mim foi, devido a não comer carne e nos EUA é o que mais tem. Não sou fã de lanches e não é a toa que pedi para a agência que a família fosse vegetariana, mas me virei bem, não fiquei fazendo doce, achei os restaurantes veganos e vivia lá.

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Mallory: Com certeza! Se acontecer, pretendo ir para o Canadá e ficar o mesmo tempo.

unnamed (1)

Viagem de Mallory aos Estados Unidos

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Mallory: Como eu disse anteriormente, amadureci muito, voltei com outra percepção de vida e aprendi a respeitar ainda mais a diferença de cada um.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Mallory: Na minha vida acadêmica não foi muito, apenas uns pontos nas atividades complementares. Mas na profissional muita coisa. Já tinha uma noção de que as empresas veem você com outros olhos. Quando você faz um intercâmbio, o seu currículo fica mais atraente, e para o comunicador isso é ótimo, principalmente por lidar com relacionamentos, ter uma visão mais específica do mundo e, lógico, uma vivência maior na língua inglesa. Até porque o que eu aprendi lá eu não aprendi em cinco anos de estudos no Brasil.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Mallory: Claro! Vou dar a mesma que me deram antes de ir: vá com a mente aberta, faça tudo o que deve ser feito, aproveite e aprenda ao máximo!

A escolha da escola sempre é uma dúvida, pois, quando você vai nas agências de intercâmbio, eles te apresentam mais de 15 escolas. Você tem quer ir com objetivo formado, por exemplo: quero focar em conversação, quero estudar tantas horas… Enfim, esses detalhes fazem a diferença.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Por hoje ficamos por aqui. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com 😉

Anúncios

Um pensamento sobre “#05 Mudei de país, e agora?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s