#07 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Heeey, cá estou novamente!

A conversa hoje tá rolando com a Luisa Petry Braz, 24 anos, formada em RP pela Faculdade Cásper Líbero, e que passou uma temporada de 10 meses em Dublin, na Irlanda, começando a sua aventura em setembro de 2014. Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Luisa: Morei em Dublin, na Irlanda, durante 10 meses. Embarquei em setembro de 2014.

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Viagem de Luisa à Irlanda

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Luisa: Juntei dinheiro estagiando e trabalhando durante a faculdade, pois tinha vontade de morar no exterior depois de formada.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Luisa: Sim, eu já tinha ido, aos 17 anos, para os Estados Unidos, para visitar minhas primas que moram lá, mas fiquei apenas um mês.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Luisa: Quando eu cheguei em Dublin o meu nível de inglês era quase intermediário. Eu consegui me virar bem nas coisas do dia-a-dia, mas percebi que seu nível de inglês aqui no Brasil muitas vezes não condiz com o seu nível de inglês no exterior. O sotaque e as expressões regionais dificultam bastante o entendimento. Mas conforme o tempo passa, naturalmente, o seu ouvido vai se acostumando aos sons e você passa a entender com mais clareza o que eles dizem.

Morar no exterior facilita muito a aprendizagem da língua, pois você pratica no dia-a-dia com pessoas que só falam inglês. No supermercado, no restaurante, no bar, você precisa falar inglês para fazer seus pedidos; as placas nas ruas são em inglês; as entrevistas que você faz são em inglês; os professores da escola não sabem português, portanto eles ensinam em inglês e você deve tirar sua dúvida em inglês. Ninguém pratica esse tipo de coisa estudando inglês no Brasil.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Luisa: Os motivos foram vários: eu sempre sonhei em conhecer a Europa; hoje em dia as empresas valorizam muito uma experiência como essa, principalmente pelas aptidões pessoais que a pessoa desenvolve e a visão de mundo que ela passa a ter; queria aprimorar meu inglês, pois sei da importância da língua no mercado de trabalho; e eu sempre quis viver a experiência de morar no exterior para estudar e trabalhar.

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Luisa: Eu morei em seis lugares diferentes, pois sempre estava à procura de um lugar melhor e mais barato, mas esses lugares sempre foram perto do centro, onde era a minha escola e onde moravam todos os meus amigos. Eu raramente usava transporte público, pois no centro sempre estava tudo o que eu precisava. Depois que comecei a trabalhar como aupair, eu pegava ônibus, pois a família morava em um bairro afastado do centro.

As amizades se concentraram na turma que morou junto nas primeiras semanas na acomodação da escola, eram todos brasileiros. Fazer amigos gringos era mais difícil, pois você acaba se identificando com pessoas que estão na mesma situação que você e ter amigos brasileiros para te ajudar nas horas de ‘perrengue’ é sempre muito válido.

Para comer, nunca tive problema; estudante tem desconto em vários lugares e a comida no supermercado é bem barata.

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Viagem de Luisa à Irlanda

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Luisa: De maneira geral, sim, pois os irlandeses são muito receptivos, tanto é que os chamam de ‘brasileiros da Europa’. Eles estão acostumados com os estrangeiros no país e a maioria dos nativos tem bastante simpatia pelos brasileiros. Além disso, falam bem do Brasil e interagem bastante, querendo saber mais da cultura daqui.

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Luisa: No geral, não há muitas diferenças. A própria comida não difere muito. As diferenças que eu posso citar são coisas menores, detalhes do dia-a-dia, como: ter que esquentar a água do chuveiro 1h antes do banho; não poder pagar o ônibus com notas, apenas com moedas, e, além disso, os motoristas não devolvem o troco, mas te dão um ticket que deverá ser trocado pelo seu troco, posteriormente, no centro; no mercado, não há sacolas plásticas, apenas sacolas recicláveis para você comprar e levar nas próximas compras; as famílias não têm o costume de colocar tempero ou sal quando cozinham macarrão, arroz ou batatas; é proibido ingerir bebida alcoólica na rua; entre muitos outros.

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Luisa: A volta é algo muito delicado, pois, se a pessoa não volta na hora certa, ela pode reagir muito. Eu voltei em um momento que me sentia preparada, com vontade de voltar. Dessa maneira, nem passei por um processo de readaptação, pois parecia que eu nunca tinha saído do Brasil. Estar de volta para sua casa, para a sua família, para a sua vida, é muito gostoso! Porém, fui me preparando meses antes para esse momento, me despedindo das pequenas coisas aos poucos e com muita consciência, para que nada fosse deixado para trás e para que a minha mente fosse, progressivamente, se acostumando com a mudança.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Luisa: Eu tenho algumas pessoas nativas, com quem trabalhei, no Facebook, e é sempre bom ver o que elas andam ‘aprontando’ em Dublin. Dessa maneira, dá para matar um pouquinho da saudade de lá. Com meus amigos brasileiros ainda mantenho contato e, aos poucos, eles vão voltando para o Brasil. Além disso, acompanho no Facebook a família para a qual trabalhei como aupair, para não perder o contato e as novas fases das crianças.

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Luisa: Para mim, a maior dificuldade foi arrumar emprego, pois eu fui com dinheiro contado para um mês, portanto, queria sempre um emprego para ontem. Eu cheguei em setembro e comecei a estagiar em um hotel em novembro, mas sem remuneração. Depois de um mês fui efetivada, mas trabalhei só até janeiro, quando é a baixa temporada. Depois disso, tive que ir para a minha última opção, que era a de ser aupair, pois eu não queria trabalhar com crianças por conta da grande responsabilidade. Trabalhei durante cinco meses com uma família e foi um ótimo desafio, pois aprendi muito com as crianças e me superei a cada dia.

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Viagem de Luisa à Irlanda

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Luisa: Se dinheiro não fosse problema, eu faria, com certeza! Tenho uma lista de lugares que ainda quero conhecer e ficaria quanto tempo o dinheiro me permitisse. Trabalhar sempre é uma opção, mas como eu sou formada, eu quero construir uma carreira na profissão, e fazer isso no exterior é sempre bem difícil.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Luisa: Inúmeras coisas! Morar longe da família, dos amigos, com pessoas que você nunca viu na vida, que têm uma cultura completamente diferente da sua, já faz com que você crie um controle emocional muito grande. Se você não cozinha, não come; se não faz compras, não tem o que cozinhar; se não lava roupa, não tem o que vestir. Portanto, a gente aprende a cuidar de nós mesmos e a fazer coisas que nunca fizemos antes, morando com nossos pais. Aprendemos o inglês, aprendemos que o mundo é bem maior do que imaginávamos, que há pessoas que vivem de maneira bem diferente da nossa e que, com isso, você pode sempre aprender e acrescentar. Aprende a não ter preconceitos e a respeitar todas as culturas. Fica mais flexível, adaptável, resiliente, prático e seguro. Enfim, mais uma série de coisas que ainda estou descobrindo.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Luisa: Apesar de não ter estudado ou trabalhado na área, vejo que, para a minha profissão, isso acrescenta muito, pois saber lidar, respeitar e aprender com as diferenças é algo imprescindível. Falar o inglês é algo muito importante, ser uma pessoa flexível, resiliente, saber lidar com imprevistos e se virar sozinho auxilia muito no dia-a-dia do trabalho. Além disso, um intercâmbio nos mostra que devemos colocar os problemas dentro da vida e não a vida dentro dos problemas, o que nos traz uma visão de mundo mais feliz e segura.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Luisa: Primeiro passo: planejar muito bem a estadia, o curso de inglês e quais são os objetivos da viagem. Curtir cada momento, inclusive os de dificuldades, porque, depois, até eles serão lembrados com carinho, pois tudo é um processo de superação constante. Haverá, sim, momentos difíceis, e se já formos preparados para eles, tudo será encarado de outra forma. E, com certeza, um intercâmbio sempre vale a pena.

Essa experiência foi a realização de um sonho e o meu assunto preferido é falar sobre meu intercâmbio e ouvir sobre os intercâmbios dos outros. Todo esforço para estar lá vale a pena.

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Por hoje ficamos por aqui. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com 😉

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