#10 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

E aí? Como estão?

Eu vou muito bem desbravando o mundo a partir dos relatos dos meus colegas entrevistados. Hoje vou compartilhar com vocês um pouco da experiência da Larissa Spicacci Campos, 22 anos, relações-públicas formada pela Universidade Metodista de São Paulo em 2014. Ela passou dois meses, de maio a julho de 2015, em Boston, nos Estados Unidos. Como será que se saiu em sua primeira viagem para um país em outro continente? Descubra agora! Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Larissa: Estados Unidos (cidade de Boston). Fiquei dois meses, de maio a julho de 2015.

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Viagem de Larissa a Boston e passeio por Nova Iorque, nos Estados Unidos

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Larissa: Fiz uma poupança durante todo o meu tempo de trabalho, e depois de um tempo, consegui juntar o suficiente para um mês de intercâmbio, mais ou menos. Meus pais sabiam que seria ótimo pro aprimoramento do idioma e, consequentemente, pra minha carreira, e me ajudaram com o segundo mês. Eles também bancaram todos os meus gastos no período em que estava no intercâmbio.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Larissa: Bolívia e Paraguai. Mas só cidades de fronteira, sabe? Nada muito profundo.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Larissa: Eu não tinha fluência. Esse era meu objetivo ao fazer o intercâmbio. Mas tinha uma boa noção. Mas, pra ser sincera, ao chegar lá, eu vi que eu realmente tinha MUITO o que aprender. Costumo dizer que o inglês que se aprende no Brasil é um, e o Inglês praticado lá é outro (risos). Aqui, aprendemos tudo muito “quadrado” e lá parece que o inglês se torna algo muito, mas muuuuiiito mais amplo. Fui achando que meu inglês era avançado, cheguei lá e vi que era intermediário.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Larissa: Resolvi fazer por tudo aquilo que essa viagem podia me proporcionar, não só profissionalmente, mas como pessoa. Eu precisava de algo novo! Eu adorava o meu trabalho, mas eu senti que era a hora de me arriscar em algo totalmente fora da minha zona de conforto, sabe? O que eu aprendi em Boston foi MUITO mais do que o idioma: aprendi a lidar melhor com as pessoas e, principalmente, a me conhecer melhor. Você estar em um lugar onde é você e você mesma te faz dar valor às coisas simples e admirar muito mais cada minuto! Aprendi também que os nossos pré-julgamentos não têm sentido, pois as pessoas são MUITO além do que elas “devem” ser devido a uma determinada cultura ou país. Fiz amigos de todos os lugares do mundo, e era como se nós tivéssemos nos conhecido desde sempre, sabe? O idioma nem os costumes foram barreiras pra isso!

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Larissa: Eu morava com uma família tipicamente americana composta pelo pai, a mãe e duas crianças. Eu estudava duas vezes pela semana de manhã e três na parte da tarde – o que era ótimo, pois conseguia conhecer vários lugares durante a semana. Fazia tudo com transporte público e era suuuuper tranquilo! As amizades que fiz foram na escola, e lá era um ótimo lugar pra troca de cultura. A alimentação foi a parte mais “difícil”, já que lá é bem diferente do Brasil, principalmente o almoço, tudo a base do lanche. Mas, na minha ‘host family’ era tranquilo, a mãe adorava fazer coisas lights!

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Viagem de Larissa a Boston e passeio por Nova Iorque, nos Estados Unidos

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Larissa: Muito! Sempre ouvi falar que americanos eram frios e um tanto grosseiros com turistas, mas, felizmente, não presenciei isso. Claro que eles são diferentes de nós em alguns sentidos nas relações pessoais, mas nem por isso são frios ou deixam de ser carinhosos. Não tenho um “a” pra falar dos americanos. Sempre fui apaixonada pelo país, e hoje tenho um carinho ainda maior!

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura.

Larissa: As diferenças são nítidas no dia-a-dia, mas não lembro todas agora. Posso citar, por exemplo, o fato dos americanos serem muuuuiito mais diretos do que nós. Tudo é ‘na lata’, sabe? Nós temos manias de dar ênfase nos detalhes, eles na ação. Uma coisa muito bacana também é que eles têm um zelo imenso pela água e pela economia dela. Isso é algo que nós, brasileiros, temos muito o que aprender. Eles, mesmo não vivendo a crise hídrica como nós, são muito sensatos em relação ao uso da água. Minha família achou absurdo alguém tomar dois banhos por dia, por exemplo. Por fim, não poderia deixar de falar do amor pela pátria: isso é algo extremamente LINDO! Eles têm um orgulho imenso do país e deixam isso claro. Algo que nós também temos muito o que aprender, pois, apesar das nossas dificuldades, o Brasil é, sim, um país que temos que ter muito orgulho. Talvez não pela política, mas sim por todo o resto que há de bom. Ou os brasileiros acham que nos Estados Unidos não existem problemas? É claro que sim!

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Larissa: Um choque! Apesar de eu não ter ficado tanto tempo e ter sentido falta do Brasil, foram dois meses muito intensos. No intercâmbio todo dia é algo novo, pessoas novas, aprendizados novos… E quando você chega no Brasil, volta à sua rotina, parece tudo tão monótono! (risos)

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Larissa: Sim. Principalmente com os amigos que fiz na escola. Alguns ainda estão em Boston e outros já voltaram aos seus países, mas, mesmo assim, mantemos o contato via Facebook, WhatsApp e Skype. O ruim é que bate uma saudade! Maldita distância!

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Larissa: Eu não tive uma grande dificuldade, pra ser sincera, mas, no início, foi a língua. Eles falam muito rápido e usam diversas gírias, mas logo me acostumei. Só às vezes não entendia algumas coisas, o que é normal quando se trata de uma língua que não é a nossa. A comida também foi algo que eu sentia falta aqui do Brasil, principalmente pelo excesso de hambúrgueres, pizzas e sanduíches na hora do almoço (risos)! Mas, algo que me surpreendeu, foi a quantidade de restaurantes de salada que existe em Boston, pra ver como EUA não é só fast food! Confesso que lá comia mais salada do que no Brasil. Era uma dieta baseada em fast food e salada no almoço, já que janta e café da manhã era na casa da minha host family!

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Viagem de Larissa a Boston e passeio por Nova Iorque, nos Estados Unidos

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Larissa: Sem dúvidas! Simplesmente porque foi a melhor experiência da minha vida! Faria pra qualquer lugar, sério! Mas tenho muita vontade de ir pra Londres ou voltar pros Estados Unidos.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Larissa: Essa experiência me mudou! Voltei com uma visão de mundo totalmente diferente, o que me enriqueceu muito como pessoa.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Larissa: Hoje me vejo muito mais solta para me comunicar em inglês: as frases fluem! O que é muito bacana, considerando a importância que o inglês tem no mercado, né? E, além do aprimoramento da língua, creio que aprendi muito mais sobre as relações pessoais, o que é ótimo pra mim como profissional de RP.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes?

Larissa: Simplesmente se joguem, mesmo com medo! É uma experiência única e que não tem idade e nem tempo pra isso! Quando for a sua hora, simplesmente aproveite cada segundo, pois passa muito muito muito rápido! Só uma coisa é certa no final: você vai querer repetir! 🙂

Já falei muito, né (risos)? Mas, uma coisa que acho muito importante, é:

Ao voltar pro Brasil, nunca deixar de estudar inglês. A prática é fundamental pra ganhar fluência e não perder o pique! E se tratando de um idioma, sempre há o que aprender!

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Por hoje ficamos por aqui. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com 😉

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