#11 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Oiê!

Quem vem contar sobre a sua belíssima viagem hoje é a Beatriz Laszlo. Ela, que está cursando o 3º semestre de Relações Públicas na Faculdade Cásper Líbero, voou para Londres, na Inglaterra, onde ficou por 10 meses, entre 2012 e 2013. Vem saber o que rolou por lá, vem! Você pode conferir os relatos anteriores aqui! 🙂

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Beatriz: Fui para Inglaterra, para Londres. Fiquei dez meses, em 2012\2013.

eu toda feliz pela primeira neve de verdade que eu peguei

Viagem de Beatriz a Londres, na Inglaterra

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Beatriz: Meu ex-namorado ia estudar numa universidade lá e me chamou para ir morar junto com ele. Sem pensar muito, eu resolvi trancar a universidade que eu estava fazendo de psicologia e ir.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Beatriz: Eu nunca havia viajado para fora anteriormente, por isso não quis perder a oportunidade de ir.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Beatriz: Olha, eu só havia estudado inglês no colégio, mas sempre aperfeiçoei a língua estudando em casa e ouvindo música, lendo e traduzindo as letras. Ao realizar o teste antes de viajar, eles constataram que meu nível era pré-intermediário, e, ao chegar lá, realizei uma segunda entrevista em que este era realmente o meu nível. Assim, eu não tive muita dificuldade de me comunicar lá porque eu não tinha vergonha de falar errado, de pedir ajuda… Acho que, inclusive, foi isso que me ajudou a aprender mais rápido a língua. Certamente que praticar a língua diretamente no país em que ela é falada é muito melhor, pois o seu contato é 24h com a língua.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Beatriz: Bom como disse anteriormente, fui para aprender inglês e para morar com meu ex-namorado, ele já era fluente na língua pois sempre estudou em escolas bilingues aqui em SP, em casa nós sempre tentavamos falar em inglÊs e ele incentivava o meu aprendizado continuo, obviamente que fui com a intenção de voltar fluente, e foi o que aconteceu. Te digo com firmeza que quis ser fluente por que amo aprender linguas, entender principalmente o que as outras pessoas dizem sempre me fez muito feliz e completa, eu ainda hoje tento aprender outras línguas, já estudei francês, mandarin, espanhol de tudo um pouco, mas só consegui concluir o inglês mesmo, devido ao fato de eu ter morado lá.

eu e amigas na Bricklane,

Viagem de Beatriz a Londres, na Inglaterra

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Beatriz: Eu morava em Londres na zona 2, em Camberwell, e era um local um pouco afastado do centro. Descia na estação Oval, que ficava na northern line, e ficava uns 30 minutos de onde eu estudei inicialmente na Piccadilly e uns 45 minutos de Kings Cross, onde eu estudei posteriormente (sempre na mesma escola, mas a unidade de Piccadilly fechou, pois o aluguel era muito caro). Enfim…

Eu sempre tive facilidade em fazer amigos e digo que o melhor que fiz foi ir aos pubs diversas vezes após as aulas. Inclusive os professores acompanhavam a gente muitas das vezes, mas claro que havia pessoas que não bebiam, ou eram menores, e iam conosco apenas para fazer um social. Isso era muito interessante, pois tinham pessoas de diversas religiões, e era tão demais como todo mundo se reunia como se o mundo não tivesse barreiras, todos juntos.

Eu me locomovia sempre de metrô e de ônibus, era super fácil, dava pra saber todas as estações pelos pontos de ônibus e até dentro do ônibus tinha um painel que avisava qual era o nome da próxima estação. Eu vivi em condições tipo mínimas, sempre vivendo com pouco mas sempre conseguindo levar.

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Beatriz: Eu, na realidade, fiz amizade com poucos nativos, mas, de todos que conversei, sempre senti abertura, nunca tive problemas, apenas inicialmente para entender o sotaque. Depois que percebiam que eu tinha dificuldade, eles compreendiam minha situação e começavam a falar mais pausadamente.

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Beatriz: Por Londres já ser um lugar cheio de culturas, etnias e religiões, eu só senti que há uma grande abertura entre as pessoas, mas que elas são meio divididas. Por exemplo, em relação aos bairros, existem bairros em que reparei que moram só ingleses. No bairro em que eu morei, por exemplo, a maioria era de negros vindos de Camarões, e também muitos paquistaneses e chineses. Eu tinha uma amiga turca que morava em um bairro que era em sua maioria residido por turcos, e assim eu consegui observar essas nuances. Apesar de ser um lugar bem cheio de história e de misturas, dá para ver que ainda há, sim, as divisões de grupos, mas que acredito ser normal, visto que, por uma questão até mesmo antropológica, acabamos por andar, viver e nos reunir com pessoas que são parecidas conosco: uma questão de identidade mesmo.

Uma grande diferença de hábito que pude notar é que lá são todos, em sua maioria, muito educados, pois pedem desculpa quando pisam no seu pé no metrô ou te empurram sem querer – tem pessoas que dizem que os ingleses falam isso por falar, mas eles, na real, ‘tacam um foda-se pra geral’. Sendo isso verdade ou não, já me admira todo mundo ser bastante educado. Também são bastante solícitos: te ajudam com alguma dúvida ou para apontar algum local etc. Pelo menos essa foi a experiência que tive.

Aliás tem um fato interessante em tudo isso. Logo no meu terceiro mês em Londres, eu quebrei minha perna e tive que operar. O processo todo foi bem extenso, e uma dica que eu dou é: não deixem nunca de fazer seguro-viagem, pois eu precisei dele, mesmo achando que não precisaria, e só paguei 70 libras por uma cirurgia no tornozelo e uma internação em um hospital público, que eles teriam me cobrado, pois eu não era cidadã dos EUA e muto menos inglesa. Enfim, a forma como eles me trataram no hospital é realmente muito mais fria do que tratam a gente aqui no Brasil. À noite, teve um dia que eu morria de dor e fiquei apertando a campainha e ninguém vinha. Tipo, eu tinha que apertar com a muleta porque não conseguia sair da cama, e ninguém veio, e eu mesma tive que desligar também com a muleta. Isso é só um exemplo para mostrar que a gente acha que lá fora é tudo perfeito, só que não, lá também há profissionais que não estão nem ligando para o que se passa…

Enfim, fato é que, tirando esse dia, me trataram muito bem e eu não tive nem que fazer fisioterapia, pois o próprio hospital me cedeu uma bota ortopédica que me fez, aos poucos, voltar a andar: o que foi incrível e chato ao mesmo tempo, pois perdi muitas aulas, mas meus amigos iam me visitar em casa e contar as novidades da escola.

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Beatriz: Foi bem esquisito voltar ao Brasil e dar de cara com o trânsito de Guarulhos para São Paulo, de ver tudo bem sujo, de ver as construções antigas abandonadas… Coisa que a gente não vê por Londres, ou pouco se vê, né? Porque lá eles valorizam a arquitetura etc. O rio, nossa, o Thames, todo imponente, e chego aqui o rio todo poluído. Dá para ver que temos muito a pensar sobre as questões urbanas, mas fiquei tão feliz de ver minha família, que o baque foi rápido, já tive que voltar a trabalhar logo para pagar contas, sabe? A correria de São Paulo…

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Beatriz: Mantenho contato com os gringos, sim. Especialmente com uma amiga turca, uma tailandesa, uma coreana, alguns da Venezuela, da Alemanha e até da Arábia Saudita. Todos nos falamos por Facebook e Whatsapp.

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Beatriz: Meu, eu acho que eu tive menos dificuldades, pois morei com meu ex-namorado, mas vi que quem morava na casa de outras pessoas, ou dividia a casa, sentia bem mais dificuldade do que eu.

Eu morei num apartamento em um prédio que morava mais uma família de gregos e colombianos. Era um caos, barulho o dia todo, bebês gritando, pais gritando, mas eu amava aquela mistura, aquele monte de língua diferente. Eles me emprestavam o aspirador de pó que eu não tinha, me ajudavam com as compras quando eu estava com a perna quebrada… Mas acho que eu levei tudo bem mais fácil porque tinha alguém do meu lado que me dava suporte, sabe?

eu e outra amiga fazendo passeios turisticos

Viagem de Beatriz a Londres, na Inglaterra

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Beatriz: Com certeza! Para qualquer lugar. Mas acho que gostaria, nesse momento, de continuar o francês. Então, se eu tivesse tempo e grana, iria para algum lugar que tivesse praia para eu poder morar com o Giovani (o atual) e ele ficar feliz. Sei lá… Biarritz?

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Beatriz: Acrescentou mais vida à minha vida! Hoje sou uma pessoa que compreende muito mais o mundo por olhares diferentes, por diferentes pontos de vista, amo muito conhecer novos luares e, principalmente, saber a história das pessoas. E, nossa, é impressionante como temos coisas para compartilhar.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Beatriz: Quando eu fui para Londres, ainda era estudante de psicologia, então eu fui apenas para aprender inglês e conhecer esse novo mundo que eu era apaixonada, mesmo antes de conhecer. Mas acredito que essa experiência foi muito importante pro meu processo de desenvolvimento social. O que eu aprendi ali, o que eu vivi ali, as experiências que tive, foram muito interessantes para construir um repertório amplo, que eu ainda não tive oportunidade de aplicar na minha carreira, pois ainda sou estudante. Mas uma coisa legal foi que, quando fui para lá, aprendi a mexer no Prezi, e fiquei super feliz de saber que foi lá que eu aprendi e que, nossa, um programa de apresentação me deixa feliz por saber que já fiz apresentações lá em inglês que mudaram muito quem sou hoje.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes?

Beatriz: PERMITA-SE! Permitir-se conhecer novos lugares, a entrar nos cantinhos mais esquisitinhos, a tomar café ou chá numa travessa da Bricklane, conversar com um regos anarquistas que tocam músicas balcânicas, ir a brechós e mercados de comida e antiguidades… Enfim, esquecer o passado e só viver o presente, sem medo de errar e de ser feliz!

Não deixar de fazer seguro-viagem (risos), respeitar outras culturas e outras religiões e um tanto de coisa que o mundo tem a nos oferecer.

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Por hoje ficamos por aqui. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com 😉

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