Minimanual do Jornalismo Humanizado – Parte III: Racismo

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Por Taís Oliveira

A ONG Think Olga lançou em novembro, não por acaso, a terceira parte do Minimanual do Jornalismo Humanizado e dessa vez o material trata de: racismo.

A Olga é um projeto feminista criado em 2013 pela jornalista Juliana de Faria que tem como objetivo criar e propagar conteúdo relevante acerca da mulher e sua complexidade. Um dos projetos da ONG foi o Chega de Fiu Fiu, mapeamento colaborativo do assédio sexual em espaços públicos. Hoje a organização conta com um outro braço de protagonismo chamado Think Eva, núcleo de inteligência que conecta empresas e marcas aos temas femininos / feministas da atualidade.

As duas edições anteriores do Minimanual do Jornalismo Humanizado tratou de Violência contra a Mulher e Pessoas com Deficiência. Nessa edição, segundo a ONG, o manual “explica como produzir conteúdo livre de racismos, desenvolvida pela Think Olga em parceria com a Cojira SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo) e com a equipe do Blogueiras Negras. Com um olhar especial de gênero, também foram entrevistadas as jornalistas e mulheres negras Juliana Gonçalves, Patrícia Gonçalves e Aline Ramos. Para reunir e editar o conteúdo dessa parte do Minimanual, contamos também com a jornalista Gabriela Loureiro.”. 

No documento o leitor encontra 10 itens para repensar a abordagem jornalística, desde termos adequados, expressões racistas que devem ser evitadas, esteriótipos negativos, escolha de fontes e imagens, quebra de padrões euro centrados, opiniões racistas, representatividade, entre outros.

Destaco aqui o item 5 – Iterseccionalidade e invisibilização. É preciso fazer recortes de raça. Ao ler um relatório do IBGE, por exemplo, fica nítido a disparidade em diversos aspectos socioeconômicos e demográficos entre homem não-negro, mulher não-negra, homem negro e mulher negra, são realidades completamente diferentes. Um jornalismo comprometido com a seriedade não generaliza colocando todos no mesmo balaio como no exemplo abaixo, do qual nem o título e nem a matéria faz qualquer recorte de raça, é como se a mulher negra não tivesse suas próprias demandas de superação, na verdade parece que nem sequer existe mulher negra.

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Matéria na BBC Brasil sem recorte de raça.

Outro exemplo de matéria com viés racistas, apenas a partir dos títulos “Jovem morador de Copacabana é preso por roubo de carros; veja vídeo“¹ e “Assaltante é amarrado em poste e espancado até a morte por pedestres em São Luís“² adivinhem quem é o negro e quem é o branco. Agora fica a questão, por que duas pessoas que cometeram o mesmo crime tem tratamentos diferentes na chamada da matéria? [matéria 1 e matéria 2]

Segundo o IBGE de 2010 a população negra corresponde a 52% dos brasileiros, ou seja, a maioria desse país, fingir a não existência de um racismo que mata e fere (física ou psicologicamente) todos os dias é um absurdo. A comunicação e os profissionais de comunicação precisam urgentemente assumir a parcela dessa responsabilidade em repensar “a democracia racial” e colaborar na reeducação da população através de uma informação correta e ética.

Para quem tiver interesse, o Minimanual do Jornalismo Humanizado é gratuito e está disponível para baixar ou ler online aqui. Esperamos que os colegas façam bom uso. 😉

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