#TiraIsso – Luanna Teofilo conta sobre caso de racismo que sofreu em empresa

A poucos dias do novembro negro popularizou-se nas mídias sociais e em diversos sites de notícias o caso de racismo que Luanna Teofilo sofreu na PR Newswire (segundo matérias de outro portais). Luanna entrou em contato conosco para compartilhar sua história aproveitando as pautas desse mês e por, infelizmente, se tratar de uma empresa de comunicação, enfatizando a necessidade desse debate ser responsabilidade também de todos os profissionais de comunicação. Abaixo reproduzimos seu relato na íntegra e em suas próprias palavras.

luanna-destaque

Eu recém havia sido admitida como Business Developer em uma grande empresa do ramo da comunicação corporativa e estava em período de experiência quando tudo aconteceu. Além de ter sofrido uma violência terrível de forma grotesca, fiquei abismada com a falta de profissionalismo que a empresa e seus gestores demonstraram desde o princípio. É chocante que uma empresa de comunicação corporativa erre em todos os aspectos deste a comunicação interna da empresa até o gerenciamento da crise.

Depois que a general manager da empresa me discriminou ordenando na frente da toda equipe TIRA ISSO!, porque segundo ela, ‘já não aguentava mais e tinha que falar’  sobre as minhas tranças, houve uma reunião onde eu fui ainda mais uma vez humilhada na frente de toda equipe e da gerente de RH que não realizou seu trabalho de forma humana e profissional. Fui chamada de racista e ameaçada com processo e não tinha absolutamente ninguém do meu lado, estava sozinha. Uma investigação interna foi iniciada e meus colegas que presenciaram tudo e enviaram mensagens de apoio, deram seus depoimentos e chegaram a conclusão de que não houve racismo. Mas então o que houve? Uma pessoa tem o direito de discriminar a outra impunemente? Pessoas que tem que se submetem a esse tipo de situação degradante para ganhar seu sustento, se acovardam diante da injustiça e preferem ficar do lado do opressor para justificar sua covardia.

Depois que a página do Facebook  viralizou, alguns colegas da empresa de outras equipes, me procuraram para me oferecer apoio e contar que outras situações de discriminação já haviam acontecido na empresa e dizer que eu poderia contar com eles. Naquela mesma tarde, eu fui despedida e escoltada para fora do escritório diante de mais de 50 pessoas. Ficou bem claro neste dia até que ponto chegou o racismo, porque um ‘mal entendido’, como a general manager chamou a situação para os funcionários, não ia levar a um ato de desrespeito tamanho à dignidade humana de uma trabalhadora.

Lendo as reportagens sobre o caso, eu soube que a general manager da empresa já havia falado internamente com outros executivos  que o problema das minhas tranças eram os clientes, pois eles eram racistas e ia pegar mal. Num mercado competitivo como é o da comunicação e marketing, acho complicado ela ter essa percepção dos clientes e prospectos e ainda projetar o seu racismo neles. Eu não gostaria de ter como parceira ou fornecedora uma empresa que comete um ato de racismo e ainda culpa o cliente por isso.

Acho importante que as pessoas saibam que além da conduta ofensiva existe também a questão profissional. Que expertise em comunicação tem uma empresa que despede uma funcionária por denunciar o racismo, joga a culpa em cima de possíveis clientes e ainda envia uma notificação extra-judicial ordenando que a página seja tirada do ar? Que imagem eles acham que estão passando para o mercado?”

Em resposta a PR Newswire publicou a seguinte nota:

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É sempre bom ressaltar a necessidade de estar preparado e consciente, enquanto profissionais de comunicação, para evitar e agir em situações como essa. A resolução vai além da preocupação com a imagem da organização (num mundo ideal esse não deveria ser o foco). Todos – empresas, estado e também profissionais – devem assumir sua parcela de responsabilidade para a diminuição de crimes de racismo nos ambientes em que atuam. É inadmissível alguém perder o emprego por denunciar racismo.

A Salon Line, empresa de cosméticos com uma linha bem popular para cabelos crespos, fez um vídeo com Luanna.


 

 luanna
Luanna Teofillo, Bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, Mestre em Linguística pela Universidade Sorbonne em Paris. Blogueira e Editora do blog Efigenias e afroempreendedora na BAP Store e do Painel BAP.
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