#12 Mudei de país, e agora?

Hoje temos um plus com a Marina Prates do Valle, 22 anos, que está cursando o último semestre de Relações Públicas na PUC Campinas, e que morou por seis meses em Collierville, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Marina: Eu morei em Collierville, uma pequena cidade aos arredores de Memphis, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Fiquei lá por seis meses, de julho a dezembro de 2014, quando estava no segundo ano da faculdade de RP.

 

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Viagem de Marina aos Estados Unidos

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Marina: Essa oportunidade foi diferente de todas as maneiras que eu imaginava de fazer um intercâmbio. Um casal de amigos dos meus pais, que moram nos EUA há 22 anos, me convidou para ir, me hospedar na casa deles e ficar por um determinado tempo. Eu sempre quis fazer um intercâmbio e, logo que consegui a oportunidade, disse sim e já comecei a verificar a documentação para a viagem.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Marina: Eu nunca tinha viajado para o exterior, aliás, nunca tinha viajado para fora do Estado de São Paulo.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Marina: Quando eu viajei, eu já tinha formação completa em uma escola aqui do Brasil e já estava em nível de conversação. O aprendizado do Brasil é totalmente diferente do que aprendi lá fora. Apesar de eu já ter formação de um curso aqui, quando eu cheguei lá percebi que as coisas eram totalmente diferentes, tanto na fala quanto nos exercícios em sala de aula e, principalmente, no dia a dia. O sotaque sulista de onde eu vivi é bem diferente do “inglês californiano” que eu estava acostumada a lidar e foi um pouco demorado este processo de adaptação.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Marina: Eu sempre sonhei em conhecer outro país, principalmente os Estados Unidos. O intercâmbio era a forma mais próxima e mais interessante para mim naquele momento para conseguir realizar isso. Meus planos eram me aperfeiçoar no inglês, conhecer mais a cultura americana, fazer amizades e contatos e também da um “up” no meu currículo.

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Marina: Eu morava na casa de amigos dos meus pais, na qual morava só eles, pois os dois filhos viviam em outra cidade para estudar. Eu estudei na Universidade de Memphis (The University of Memphis) e eu ia para lá com um carro que tive que comprar, pois a minha família não poderia me levar à faculdade. O carro era um Honda Accord, ano 2000, e paguei à vista (somente $ 2.500,00) – e, por incrível que pareça, quando estava vindo para o Brasil eu o vendi pelo mesmo preço!
Sobre o que eu comia, eu geralmente levava snacks de casa sempre quando saia, como barrinha de cereais, castanhas, queijo, biscoitos e coisinhas rápidas, mas quando estava em aula almoçava algo como um wrap com recheio vegetariano, comia um lanche do Subway ou do Chick Fil-A (fast food).  No geral, eu me alimentava muito bem lá! Em casa era comida típica brasileira, mas leve. Tanto que, ao invés de engordar, como acontece com algumas pessoas quando vão para lá, eu acabei perdendo uns quilos (risos).
Já nas amizades, eu participava de festas e almoços em grupo que o meu curso promovia e sempre fazia uma amizade ou outra. Conheci muitas pessoas também por meio da família com a qual morava, fiz muitos contatos e muitas amizades com latinos e americanos amigos da família.

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Marina: Nas primeiras semanas tive um “choque cultural” e me senti meio perdida nas relações com os nativos. Depois de dois meses eu já estava me considerando quase uma americana! Acredito que, depois de um tempo vivendo a realidade cultural, você acaba entendendo e aceitando mais as diferenças.

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Marina: Logo que cheguei foi bem difícil a adaptação – me perguntava o porquê as pessoas não podiam ser mais acolhedoras e por que eram tão individualistas. Mas, depois que me adaptei a isso, cheguei à conclusão que era assim que eles foram criados, que isso fazia parte do dia a dia deles e que não havia problema algum com isso. Todos somos diferentes, crescemos com realidades diferentes, e isso era mais do que normal.

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Viagem de Marina aos Estados Unidos

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Marina: A minha despedida foi difícil! Deixei para trás algumas coisas que eu realmente queria, na época, dar continuidade. Cheguei ao Brasil e sentia que não fazia mais parte daqui. A minha realidade dos seis meses anteriores não se encaixava com nada. Eu achava que só ficaria feliz se estivesse ficado lá… Mas isso mudou com o tempo.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Marina: Na verdade, faz algum tempo que não falo com ninguém, mas acompanho todos nas redes sociais e de vez em quando rola uma interação. A minha vivência foi mais com pessoas de outros países do que com os próprios americanos. O meu curso só admitia pessoas de outros países, então a minha relação foi mais com japoneses, coreanos, venezuelanos e outros gringos (risos).

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Marina: Acredito que a minha maior dificuldade enfrentada foi me adaptar ao sotaque sulista, mas depois de algum tempo consegui me adaptar bem!

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Marina: Sim! Faria com certeza outras vezes! Eu gostaria de ir para o Reino Unido estudar por alguns anos algo relacionado à área, pois sei que Londres é um grande centro e a capital das Relações Públicas.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Marina: A experiência do intercâmbio me ajudou muito a conseguir chegar aonde estou. Primeiramente, voltei totalmente rica de experiências. Passei por muita coisa “sozinha” e tive muito tempo para me descobrir e entender um pouco mais sobre o mundo e a vida. Além disso, conheci pessoas e lugares incríveis, dos quais nunca vou esquecer, e, claro, dei um up no meu currículo profissional.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

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Viagem de Marina aos Estados Unidos

Marina: Como comunicadora, o intercâmbio me fez abrir mais a mente, pensar mais além e não ter medo de tentar. Eu voltei com tanta energia que hoje nada mais é impossível para mim. Ter o inglês fluente me abriu muitas portas e me fez aprender muito com isso. Tive a oportunidade também de bater um papo com a galera do primeiro ano de RP na faculdade onde estudo para contar a minha experiência e para incentivá-los a fazerem o mesmo, correr atrás dos sonhos e explorar outro país e cultura.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Marina: Uma das coisas que mais falo para as pessoas que vão viajar, mesmo para passeio, é para aproveitar cada segundo. Desconecte um pouco do que ficou no lugar de onde saiu! Esqueça as redes sociais! Aproveite este tempo para olhar para a frente e observar o que tem a sua volta. Fale mais com as pessoas que estão ao seu lado. E outra dica que sempre dou é: não poste nada sobre o que faz e sobre a sua felicidade. Isso faz com que a sua experiência seja mais sua e com certeza, a melhor.

VRP: Fique à vontade para acrescentar qualquer coisa que não tenha falado anteriormente.

Marina: Na verdade, é uma dica: gostaria de dizer para aqueles que têm a oportunidade de viajar, irem em frente! A viagem aumenta muito a experiência de vida das pessoas em uma dimensão inigualável. Tente! Corra atrás! Faça acontecer e não desperdice as oportunidades que estão à sua frente! E conheça pessoas, elas são incríveis.

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Agora é um tchau, mas não um adeus. Se você tem vontade de participar da série contando a sua experiência como intercambista (serve o gringo no Brasil também), mande um e-mail para michele.fboin@gmail.com

 

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