#13 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Olá!

E hoje o tom é de despedida, pois a série acaba por aqui. 😦

Espero que o nós, do VRP, e os nossos entrevistados possamos ter contribuído bastante por meio da experiência dos coleguinhas no exterior. Que a série inspire você sempre a viajar, desbravar o Brasil e o mundo, se descobrir de várias formas e, de quebra, ainda ter um plus como comunicador. 😉

Para encerrar, hoje falamos com a Andressa de Oliveira Pinto, publicitária de 27 anos, formada pela FAPCOM, e que por oito meses – a partir da metade de 2012 – desbravou Dublin, na Irlanda. Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Andressa: Fui para Dublin, na Irlanda, na metade da 2012. Fiquei oito meses viajando. A ideia inicial eram seis.

Neve frioo

Viagem de Andressa para Dublin, na Irlanda

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Andressa: A oportunidade nasceu quando sonhei com isso. Desde sempre quis viajar para fora e morar num lugar diferente. Era um sonho tão forte em mim que as imposições sociais não foram fortes o suficiente para me desanimar. A jornada até a viagem foi longa… Coloquei na cabeça que viajaria depois que terminasse a faculdade. Sou de família simples, como costumo dizer, uma pppp – Paulistana, Publicitária, Periférica e Prounista (Palmerense também). Para tudo nessa vida tive que ralar e com o intercâmbio não foi diferente.

Essa passagem da pré-viagem é bem longa. Resumindo: junto dinheiro desde o meu primeiro estágio, fiquei um tempo sem emprego, aí encarei trabalhar em shopping e tive o apoio do meu namorado (que embarcou nesse sonho comigo) e unimos esforços. Ele sempre foi a parte pé no chão dessa realização, sou muito grata a ele, formamos uma dupla pé no chão e cabeça na nuvem que deu muito certo! Resumindo: para nós, que não temos tudo na mão, é mais difícil, leva mais tempo, tem que abrir mão de coisas, mas dá! Não escute ninguém que diga o contrário. 

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Andressa: Nunca havia viajado. Minha primeira vez no avião foi uma emoção, parecia uma criança na Disney.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Andressa: Havia estudado ao todo cerca de um ano e meio aqui no Brasil. Achava muito chato e me dedicava muito pouco aos estudos. Inglês, para mim, tinha muito mais de experiência que de apostila. Eu pensava “só vou aprender isso morando fora”, e foi assim mesmo: em uma semana de aula evoluí seis meses. Nem se compara! Eu recomendo aos amigos que poupem a grana do curtinho aqui e coloquem o pé na estrada. Quando voltar, se matricula pra dar um up na gramática e para praticar.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Andressa: O intercâmbio tinha um cunho de realização de sonho. Quando pequena, eu pensava que o mundo era muito mais que o meu quintal e queria viajar. Não há uma explicação do tipo ‘crescer profissionalmente’ ou algo do gênero. Eu queria conhecer língua nova, cultura nova, pessoas novas… Minha ambição é pisar em cada continente e depois em cada país.

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Andressa: Morei duas semanas em casa de família. É bem mais caro, mas ajuda no começo para você entender como funcionam as coisas. Depois alugamos um apê, que dividíamos com outras duas pessoas, estudantes também. Passaram por lá brasileiros, chileno, espanhol e irlandês. Era uma delícia! Estudei numa escola muito boa chamada Delfim School. Fiz muitos amigos lá, gente de vários lugares do mundo, que me apresentaram sua cultura, sua língua e muitas vezes comidas diferentes. Trabalhei também, no início entregando jornal e depois num bar. O bar era muito divertido! Tudo era feito a pé. Muita saudade dessa pouca distância que facilitava as relações e o convívio nas festas nos retornos. Isso era incrível!

Jantar com a galera

Viagem de Andressa para Dublin, na Irlanda

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Andressa: Os irlandeses, como um todo, são muito alegres e simpáticos. O maior desafio no começo era compreendê-los: o sotaque deles é bem difícil e diferente do que estamos adaptados com tanta influência americana. No entanto, carrego boas memórias e de pessoas muito educadas. Por favor, desculpa e obrigada é regra por lá, além de serem bêbados convictos (risos).

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Andressa: Eu fui para sentir essa diferença cultural. Pude conhecer outros países, além da Irlanda, durante o intercâmbio. Assim, pude ver pessoas mais afáveis, outras mais fechadas… Em geral, em nações bilíngues – na Itália e Alemanha, por exemplo – todos sabiam dar informações em inglês. Coreanos são, a princípio, quietos e tímidos. No entanto, são pessoas abertas para o novo e muito disciplinados. Aprendem com muita rapidez. Os espanhóis, em geral, eram os que menos se misturavam com as outras nacionalidades e, sim, tinham um estereótipo marcante de brasileiros e, em especial, das brasileiras. Tive que me impor em várias situações! A comida e o clima foram os maiores desafios, pois a comida não é saborosa e diversa como estamos acostumados e o clima frio é simplesmente horrível (risos).

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Andressa: Quando retornei, eu pensei: “Como a gente vive com esse trânsito? Com essas distâncias? Com esse barulho? Com esse ‘jeitinho’ de resolver as coisas?”. Mas voltei também pensando “Amo ser brasileira!”. Somos resilientes, adaptáveis, damos valor à família se reunir na mesa para comer e temos praia! No entanto, eu voltaria a morar fora quando considero quão longe estamos da dignidade. E olha que sou uma pessoa otimista…

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Andressa: Tenho amigos desta época, sim. Todos no Face, WhatsApp… Vira e mexe nos falamos e lembramos com nostalgia daquele tempo sensacional.

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Andressa: Uma vez que se viaja, o difícil mesmo é ficar plantada no mesmo lugar. Quero fazer outro, sim. Tenho desejo antigo de ir para a Austrália. Quem sabe?

Curtindo o litoral da Irlanda

Viagem de Andressa para Dublin, na Irlanda

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Andressa: Essa experiência preenche a alma, alavanca seu entendimento de mundo, te faz ficar inquieto, desfaz pré-conceitos e te dá mais flexibilidade. Num intercâmbio, você lida com tanta coisa nova, entre emoções e experiências, que ninguém volta igual.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Andressa: Olha, em termos profissionais, eu me sinto com mais bagagem. Conheci coisas novas e isso é sempre relevante para qualquer profissional. Falar outra língua é quase que obrigatório, no entanto, não choveram oportunidades quando eu voltei. Fico satisfeita por não ter sido o grande motivador do intercâmbio colocá-lo no currículo, porque não alterou grande coisa. Agora eu tenho o mesmo que a galera com grana tem. Na hora do vamos ver, eles têm uma faculdade de elite no CV ou uma professora que indique vaga. Neste quesito, o intercâmbio não teve grande influência, no meu caso.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Andressa: Para quem tá pensando em se jogar num intercâmbio: pare de pensar e vai. Vai dar frio na barriga, vai ter perrengue, mas é a melhor experiência que se pode ter. A única coisa que eu sempre digo quando me perguntam algo é: vá de peito aberto, o aprendizado é garantido! 

Para você que, como eu, além de tudo, vai ter que juntar grana por si próprio, desejo foco e força. Ponha na sua cabeça que você quer realizar, seja disciplinado nos gastos, pesquise os melhores custos x benefícios, não feche com as agências famosinhas e trabalhe pelos sonhos. É realizador!

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