#14 Mudei de país, e agora?

Por Michele Boin

Para você que pediu mais, tem plus da série rolando!

Hoje falamos com a Denise Cristina Barbosa, publicitária de 29 anos formada pela Metrocamp e atualmente professora de dança e de idiomas. De maio de 2013 a agosto de 2015 ela morou na Irlanda, França e Espanha. Você pode conferir os relatos anteriores aqui!

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Viagem de Denise à Irlanda, Espanha e França

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Denise: Irlanda, Espanha e França, sendo 1 ano e 3 meses na Irlanda, 6 meses e na Espanha e 6 na França, de maio 2013 à agosto de 2015. Morei em Dublin, Sevilha, Paris e Barcelona. Nesta ordem. Quanto à Espanha, foram 3 meses em casa cidade.

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Denise: Na verdade eu a criei. Trabalhei durante toda minha faculdade, à princípio como estagiária e pouco tempo depois como efetiva. 1 ano após me formar, já tinha o dinheiro necessário para o intercâmbio na Irlanda. Lá eu consegui trabalho em uma loja de roupas, o que possibilitou o segundo e terceiro intercâmbio.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Denise: Não, eu havia saído poucas vezes de Minas Gerais e São Paulo.

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Viagem de Denise à Irlanda, Espanha e França

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Denise: Fiz um curso de um ano antes da viagem, porém não me comunicava quando cheguei lá. No entanto, a base que tive no Brasil me ajudou a evoluir rapidamente: entrei no iniciante e 6 meses, depois estava no avançado e, graças a rápida evolução, consegui um emprego razoável como vendedora de roupas em uma loja de alto padrão. A imersão com certeza é a melhor e mais rápida forma de se aprender um idioma! Quanto ao espanhol e francês, não havia estudado antes.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Denise: Além da vontade de conhecer outros países, eu via muitas oportunidades de emprego ótimas no Brasil, mas que exigiam inglês avançado ou fluente. Eu não esperava conseguir morar em outros países além da Irlanda, mas a paixão por aprender línguas foi despertada e as coisas foram dando muito certo.

VRP: Quais eram suas condições no exterior?

Denise: Dividia apartamento, andava bastante a pé pra ir à escola, comia muito sanduíche, feijão enlatado, arroz e frango. Procurava economizar, pois não havia garantia de emprego. Eu faço amizades com facilidade, então aos poucos fui conhecendo pessoas do mundo todo as quais me ajudaram com indicações de emprego ou informações sobre cursos gratuitos, por exemplo. Um fato interessante foi que eu estudei francês praticamente de graça! Haviam escolas e associações de ensino para estrangeiros em Paris e, pasmem, de graça ou com uma taxa anual simbólica.

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Viagem de Denise à Irlanda, Espanha e França

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Denise: Eu não tive muito contato com irlandeses, a não ser no local de trabalho. Eles comem mal e são mais frios que brasileiros, mas são legais. A Irlanda é um país muito frio, por isso o pessoal faz muita reunião em casa sempre regadas a bebidas. Um dia de sol é algo para se comemorar. Os franceses são bastante fechados, demora para ganhar a confiança deles. Estes comem bem. Amei a comida francesa! Já os espanhóis são parecidos com a gente, gostam de festa, são intensos e calorosos e comem muita fritura. De forma geral, me adaptei bem às culturas, só o frio do inverno que judiou. Nas minhas escolas só tinha alunos estrangeiros, então pude conhecer um pouco de outras culturas por meio de conversas. Isso foi muito bom.

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Denise: Choque e indignação. A crise já estava avançada quando cheguei: inflação, falta de emprego, insatisfação do povo etc. A vida nunca foi fácil para os brasileiros, mas desde que voltei está quase impossível viver, boa parte apenas sobrevive.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje

Denise: Tenho amigos pelo mundo afora. De vez em quando conversamos por Facebook e prometemos nos reencontrar. Em janeiro reencontrei um amigo argentino que fiz em Barcelona, ele veio fazer intercâmbio no Brasil. Namorei um francês por quase 1 ano, terminamos pela questão da distância, mas ainda mantemos contato e planejamos nos reencontrar.

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Denise: A aprendizagem da língua. Quando a barreira da comunicação é quebrada, as coisas fluem.

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Viagem de Denise à Irlanda, Espanha e França

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Denise: Sim, se eu pudesse, faria dois intercâmbios por ano. Estou planejando voltar para a Espanha, talvez em 2017. Também pretendo passar uns meses na Itália para aprender italiano.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Denise: Amadureci e cresci muito, me tornei mais solidária, humana, compreensível, segura e paciente. Ela mudou a minha forma de ver a vida. Hoje, mais do que nunca, priorizo o “ser” e não o “ter”.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Denise: Imenso! Apesar de não ter conseguido uma boa oportunidade na minha área (Publicidade), hoje dou aulas de inglês e espanhol utilizando o que aprendi e aprimorando ainda mais meus conhecimentos.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Denise: Não tenham medo! Foquem na aprendizagem do idioma, caso não saibam, e corram atrás dos seus objetivos. Existem pessoas boas pelo mundo, basta estarem dispostos a fazerem o bem e ele retornará pra vocês, seja em forma de uma recomendação de emprego, moradia, informações úteis ou mesmo ajuda em situações difíceis. Cada experiência é válida! Podem haver contra tempos sim, mas estamos sujeitos a isso em qualquer lugar.

VRP: Fique à vontade para acrescentar qualquer coisa que não tenha falado anteriormente.

Denise: Todo mundo deveria fazer um intercâmbio. O mundo é muito grande para ficarmos em apenas um lugar a vida toda. Essa experiência vai abrir sua cabeça, te tornará mais confiante. Somos capazes de tudo, basta ter foco e correr atrás.

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E com isso, em tom de despedida (agora é mesmo), dizemos um até logo para a série. Abraços e até mais! 🙂

 

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