Precisamos falar sobre suicídio e a Comunicação a serviço da Saúde

Você provavelmente já ouviu sobre a série que está dando o que falar por aí, disponível na Netflix, “13 Reasons Why”. A história é baseada no livro de autoria de Jay Asher, em que o tema central é o bullying e o suicídio – a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Hannah Baker é a personagem principal, uma jovem que está cursando o Ensino Médio na Liberty High School e passa a ser assediada verbal e fisicamente, tendo boatos espalhados sobre sua vida sexual e sua privacidade exposta pelas redes sociais.

Entendendo o 1º problema

Logo nesse início de sinopse já encontramos um tipo de abordagem muito comum nos dias de hoje, uma vez que uma simples imagem ou texto ganha repercussão em grandes proporções descontroladamente e, geralmente, acompanhados de um “não é nada demais, é só uma brincadeira”.

As redes ou mídias sociais (como preferir chamar) foram uma bênção para nós, permitindo contato simultâneo com pessoas de qualquer parte do mundo a partir de uma simples tela, porém também foram uma maldição para o compartilhamento descoordenado e voluntário de conteúdos impróprios ou que manifestassem algum tipo de violência.

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Continuando a história… 

Hannah é abandonada por seus amigos, desacreditada por outras pessoas, tratada como objeto e uma série de acontecimentos que vão deixando sua vida cada vez mais insuportável até que um dia ela decide pôr um fim nisso tudo, deixando fitas que explicam “os 13 porquês”.

Às vezes as coisas acontecem com você. Só acontecem e você não consegue evitar, mas o que faz depois é o que conta. Não o que acontece. Mas o que decide fazer sobre o assunto.
Hannah Baker – episódio 10.

A garota, ainda lutando por uma última tentativa, procura ajuda de um conselheiro em sua escola na esperança de encontrar um motivo para continuar. Infelizmente, o resultado é desastroso. Fica visível como aquele profissional estava despreparado para determinadas situações.

Aqui podemos entender outro problema claramente apresentado. Em pleno séculos 21, muitos assuntos são jogados para debaixo do tapete ou frases como “é só mais uma frescura” tomam peso por aí. Ou, em casos piores, a vítima leva a culpa pelas atitudes de seus agressores, como aconteceu com Hannah e como acontece diariamente com milhares de pessoas.

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E nós, o que podemos fazer? 

Como profissionais de Comunicação, temos o compromisso de fazer um bem ao mundo com a informação. Particularmente, apoio a iniciativa de trazer esse tema à tona com uma mistura de delicadeza (e aqui quero dizer sobre os sentimentos dos outros) e verdades escancaradas como a série trata.

Desde que passou a ser veiculada, 13RW tem alcançado grande quantidade de pessoas, o que tem motivado e aumentado em mais de 100% o número de procura por ajuda, segundo o Centro de Valorização à Vida (CVV).

Após o suicídio de Hannah, cartazes foram espalhados pela escola, incentivando o diálogo e a busca por ajuda. Na época cartazes sobre o consumo consciente de álcool também foram expostos, devido a um acidente e morte envolvendo outro aluno.

Tem que melhorar a maneira com que tratamos uns aos outros e olhamos uns para os outros. De alguma forma, temos que melhorar.
Clay Jensen – episódio 13

Apenas cartazes não salvam vidas, mas podem representar um começo. Como Relações-Públicas, e para qualquer outro profissional seja de Comunicação ou não, eu os convido a fazer uma reflexão de que tipo de ações nós poderíamos desenvolver em uma escola ou em qualquer outro lugar. Não para “limpar a barra” da próxima Liberty High School, mas para esclarecer abertamente várias questões a crianças, jovens e adultos que em momento de desespero podem procurar ajuda e acabar recebendo uma má orientação, como foi no caso de Hannah.

Não vamos banalizar o que o outro sente, vamos entende-lo. O peso tem medidas diferentes na vida de cada um. E alguns podem sentir que já não conseguem mais carregar isso nem um dia sequer.

Associações de ajuda:

Centro de Valorização da Vida: www.cvv.org.br

Rede Brasileira de Prevenção ao Suicídio: www.redebraps.com.br

Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos: www.abrata.org.br

Apoio a Perdas Irreparáveis: www.redeapi.org.br

Pravida – Projeto de Apoio à Vida: www.pravidaufc.webnode.com.br

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