#16 Mudei de país, e agora?

Por Diego Galofero

Hoje a série “Mudei de país, e agora?” traz mais experiência norte-americana para vocês, quer dizer, a priori foi  norte-americana, mas nossa entrevistada conheceu mais continentes e países como será contado a seguir.

Tamires Guimarães, 25 anos, paulistana da Zona Sul, formada em Rádio, Tv e Internet pela FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. Coordenadora de produção na Bardeo2 Comunicação e a personagem ilustre de hoje.

Viagem a Washington, Dc

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Tamires: Fiz um intercâmbio de 1 ano, entre outubro de 2015 e outubro de 2016, nos Estados Unidos.

VRP:  Como conseguiu a oportunidade?

Tamires: Fui através de um programa de intercâmbio cultural chamado Au Pair, que resumindo, é um intercâmbio destinado a jovens entre 18 e 26 anos (requisito para o programa nos EUA, em outros países pode ser diferente), com inglês intermediário, que tenham interesse em viver com uma família americana.

Este programa tem um custo-benefício muito bom, pois o valor de inscrição não é alto levando em conta o tempo de duração (paguei em torno de $500 em maio/2015), neste valor estão inclusos as despesas de passagem ida e volta, seguro saúde, treinamento de 1 semana no país de destino (orientações sobre leis do país, leis de trânsito, primeiros-socorros e cuidados com crianças).

A família hospedeira (Host Family) é responsável pela Au Pair durante toda a duração do intercâmbio, que pode durar de 1 a 2 dois anos. Dentro dessas responsabilidades estão: hospedar a au pair destinando a ela um quarto individual, fornecer alimentação, arcar com, no mínimo, $500 para gastos estudantis (cursos, material de estudo, workshops…) e prover meio de transporte para o comparecimento da au pair nas aulas.

Em contra partida, a au pair, fica responsável por cuidar das crianças da Host Family, não podendo ultrapassar 45 horas de trabalho semanalmente. Pelo trabalho de babá, a au pair recebe um pagamento semanal de $195,75.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Tamires: Já havia visitado a Argentina e o Uruguai, mas somente a passeio, em viagens de férias.

VRP:  Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Ônibus Escolar

Tamires: Eu não tinha fluência. Antes de embarcar fiz um curso de inglês no Brasil com duração de 18 meses e terminei no nível avançado, mas eu ainda era muito insegura para falar fora da sala de aula.

Certamente o contato direto com a língua num país estrangeiro facilita muito a absorção, já que o contato é constante. É uma imersão. Você é obrigado a vencer o medo, a vergonha, a insegurança, pois não há outra forma de se comunicar e você precisa se fazer entender. No começo isso causa um choque grande, mas com o tempo, pelo menos comigo, as coisas foram melhorando e aos poucos eu fui vencendo os desafios.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Tamires: Meu objetivo número 1 era melhorar o meu nível de inglês, conseguir me comunicar, entender e ser entendida. Não era uma meta adquirir fluência em 1 ano, ainda há uma divergência sobre “o que é ser fluente?”…

Penso que a fluência no idioma requer um tempo maior, mais aprofundamento na língua, não apenas conseguir manter uma conversa informal, mas eu sabia que 1 ano seria tempo suficiente para alcançar o objetivo que eu estava buscando no momento.

Brooklyn

VRP: Quais eram suas condições no exterior (onde morava, onde estudava, como se locomovia, comia, fazia amizades etc.)?

Tamires: Eu morava em uma casa no subúrbio de NY, há 30 minutos de NYC, localizada no condado de Westchester. Fiz dois cursos de inglês em duas faculdades da região (Iona College e Westchester Community College), um no outono e outro na primavera. A minha família hospedeira fornecia toda a minha alimentação, eu mesma cozinhava. A maioria das amizades que fiz durante o intercâmbio foram com as outras au pairs. Fiz alguns amigos locais, mas poucos.

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Tamires: Fui muito bem acolhida pela minha host family, eles sempre fizeram o possível para que eu me sentisse em casa.

Em relação à cidade, NY é uma cidade muito acolhedora. A cidade é feita basicamente por migrantes e imigrantes, então sotaques diferentes, culturas diferentes, etnias diferentes, fazem parte do cenário da cidade, é muito fácil se sentir em casa.

VRP:  Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Tamires: Acredito que a globalização, os meios de comunicação, o mercado, fazem com que essas diferenças se tornarem cada vez menores, principalmente em relação a países do mesmo continente.

Os filmes que eles assistem lá são os mesmo que assistimos aqui, as roupas que usam lá são as mesmas que usamos aqui, as marcas que consomem, as bandas que ouvem… Fica difícil encontrar diferenças culturais significantes.

Eu apontaria como coisas que me chamaram mais atenção, tanto nos aspectos positivos quanto negativos:

O uso excessivo de materiais descartáveis – tudo é embalado com sacos plásticos tipo ziploc. Alimentos, brinquedos, roupas, quando às vezes, materiais mais duráveis como sacos de pano ou potes plásticos poderiam ser utilizados;

Pontualidade – as pessoas são extremamente pontuais, e isso não é visto como qualidade, mas como uma regra básica se educação;

Dedicação (e devoção) aos estudos – claro que o contexto é outro, mas há um comprometimento muito grande em relação aos estudos. Isso em linhas gerais é algo muito bom e admirável, mas em alguns casos a cobrança familiar e a auto-cobrança atinge níveis, que ao meu ver, são preocupantes. Vi crianças de 3 anos com mais atividades do que eu tinha aos 15. Alguns adolescentes, ao final do ensino médio, atingem níveis de estrese alarmantes;

Segurança – disso eu sinto falta. Andar sozinha pela rua às 3 da manhã sem preocupação.

VRP:  Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Tamires: Eu estava com muita saudade, já havia cumprido meu objetivo fora e queria muito voltar, então a sensação foi ótima. Tive sorte de já ter um emprego me esperando, então a transição de volta foi bem tranqüila.

VRP: Ainda mantém um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Tamires: Sim, ainda mantenho contato com minha ex Host Family e nos falamos regularmente pelo facebook. Além disso, meu atual namorado é americano, estamos juntos há 1 ano. Ele veio me visitar depois que retornei ao Brasil e por enquanto mantemos um relacionamento a distância.

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Tamires: No início a língua é a principal barreira, mas aos poucos ela vai sendo vencida. Dirigir no começo foi um desafio, não só pelas leis de trânsito, mas também pelo tamanho dos carros, são todos muito grandes.

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Tamires: Certamente sim. É a melhor forma de se aprender um idioma novo, vivenciar novas culturas e ampliar as visões de mundo.

Ainda não tenho outro em mente, mas estou me dedicando a aprender uma terceira língua, então talvez seja um plano futuro.

VRP:  O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Tamires: Toda experiência, seja boa ou ruim, te transforma como pessoa. Esta foi sem dúvida uma das principais experiências e uma das melhores decisões que tomei na vida.

Não é fácil o tempo todo, às vezes dá vontade de desistir, mas focar no objetivo é a melhor forma de seguir em frente.

Além do idioma, o intercâmbio te ajuda a entender mais sobre você mesmo, sobre o mundo e a ter mais confiança em si mesmo. É transformador.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Tamires: Tudo é repertório. Viajar te dá a oportunidade de ver coisas, viver coisas, sentir coisas que você só esta habituado a ver em telas, livros…

Conhecer pessoas, culturas, visitar lugares, museus, ver cenários diferentes… Tudo é repertório. Amplia seu olhar, sua mente, te inspira, te torna mais criativo.

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes?

Tamires: Aproveite ao máximo a oportunidade e esteja aberto para novas experiências. Se planeje bastante, imprevistos acontecem, mas um bom planejamento ajuda muito a não sair dos objetivos.

Tenha em mente que essa não será a última e nem a única viagem da sua vida. Não tenha pressa em querer fazer tudo de uma vez só e aproveite bem casa momento.

VRP:  Fique à vontade para acrescentar qualquer coisa que não tenha falado anteriormente.

Tamires: Meu objetivo principal, como já mencionei, era melhorar o idioma, mas como objetivo secundário eu decidi que gostaria de viajar o máximo que eu pudesse.

Sempre tive o sonho de conhecer a Europa, então durante meu intercâmbio nos Estados Unidos eu juntei o máximo de dinheiro que consegui para fazer uma Eurotrip de 45 dias, passando por 9 países.

Então às vezes, a gente consegue estabelecer um objetivo dentro do objetivo rs. Quando você estabelece metas, seja viajar, comprar um computador novo, juntar dinheiro pra mandar pro Brasil, fica mais fácil de seguir firme até o final.

 

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