#18 Mudei de país, e agora?

Europa é o destino da minha colega de sala na graduação, Tatiane Andrade. No décimo oitavo capítulo da nossa série, acompanhe.

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Tatiane: Eu estive em  Madri, na Espanha em 2012 por 1 mês, e há 2 meses vivo em Verona, na Itália.

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Tatiane: Uma tia muito querida me deu de presente a passagem aérea como forma de parabenização pelo término da segunda graduação, após muito sacrifício. Fui, então, à uma agência de intercâmbio, a CI, da qual fui bem atendida e respaldada durante toda a minha viagem. Consegui minhas férias trabalhistas para o mês de abril por não haver frio rigoroso e principalmente por ser mês do meu aniversário.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Tatiane: Sim, eu já havia ido à Espanha para um evento matrimonial e para Luxemburgo por motivo de Au Pair de um mês, em 2005.

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Tatiane: O meu nível de espanhol era intermediário. Conseguia me expressar, porém não com tanta fluência. A imersão na língua espanhola me auxiliou muito a desenvolver o idioma, já que quando fazemos intercâmbio somos normalmente obrigados a nos exercitar.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Tatiane: Optei por fazer o intercâmbio porque, segundo minha visão, quando estamos em contato com outras culturas, línguas, pessoas nosso conhecimento e entendimento são ampliados. O mundo é enorme e eu adoro pensar que existem muitas partes a serem exploradas! “Eu adoro a Espanha, por que não fazer meu intercâmbio lá?” Pensei. Meu objetivo era o de, futuramente, me estabilizar em um país em que tivesse mais segurança, saúde, educação e também trabalho.

VRP: Quais eram suas condições no exterior (onde morava, onde estudava, como se locomovia, comia, fazia amizades etc.)?

Tatiane: Minha tia e eu alugamos um flat um pouco distante de Madri. O preço estava ótimo e compensou muito já que estávamos em duas. Eu pegava ônibus e metrô para chegar à escola. O tempo de trajeto era de aproximadamente 1h15, não que isso fosse um problema para mim (quem vive em São Paulo sabe do que eu estou falando!).

Eu estudei na Enforex, no centro de Madri. Uma boa escola. Recomendo.

Inicialmente, minha intenção era de fazer o curso na escola Don Quijote, pelo prestígio e atendimento fantástico. Acabei optando pela Enforex por uma promoção.

*Dica: busque conhecer profundamente a escola que você pretende estudar. Preço não é o mais relevante ou pelo menos não deveria ser. Hoje, vejo que a escola Don Quijote era compatível com os minhas preferências educativas, e eu, inevitavelmente, teria desfrutado mais.

Eu tinha a opção de preparar minha própria comida, e algumas vezes de ir a restaurantes. Eu optava também pelos restaurantes chineses, que além do bom preço se assemelhava a nossa culinária (arroz primavera!).

Eu sou uma pessoa muito aberta a fazer novas amizades. Conheci pessoas muito bacanas de forma muito natural: na escola, na rua, em museus, etc.

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Tatiane: A primeira vez que estive na Espanha senti que os espanhóis nem sempre eram receptivos com pessoas que falavam outro idioma que não fosse o deles. Isso mudou. Fui muito bem acolhida na minha última viagem, e encontrei espanhóis gentilíssimos dispostos a ajudar. O turismo é muito forte, então, digamos que exista uma relação de interdependência entre estrangeiros e nativos.

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Tatiane: Eu encarei de forma muito positiva. Pude trocar experiências e analisar nossa própria cultura. Falando especificamente dos espanhóis, por terem referenciais da cultura latina, são parecidos conosco, porém, claramente, com algumas diferenças. Eles são diretos e claros, sem rodeios. Crianças agem como tal; não conheci nenhuma criança com perfil no Facebook, por exemplo. Adolescentes e adultos fumam, e muito. É normal para eles. Os espanhóis são muito patriotas e a língua muito valorizada. Dificilmente encontrará filmes legendados. Eles preferem dublados!

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Tatiane: A sensação de regresso foi muito gratificante. Explico. Adorei o intercambio e acredito que exista tempo de colher e plantar. Ao retornar ao meu país, percebi que era tempo de trabalhar para viajar novamente. A Europa é encantadora e o Brasil, apesar de todos os problemas enfrentados, tem seus pontos positivos.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Tatiane:  Sim, tenho amigos estrangeiros. Nos falamos pelas redes sociais.

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Tatiane: Uma dificuldade para mim foi a língua. Eu tenho necessidade de me comunicar (bastante!) e, embora, eu tivesse um nível razoável de espanhol, me faltava vocabulário. Fora isso, me adaptei bem, inclusive, pude provar um pouco da culinária que é saborosíssima!

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Tatiane: Certamente, sim. Preciso aperfeiçoar o idioma inglês e por isso eu faria um intercâmbio de 1 a 2 meses para a Irlanda ou Austrália. Tá, são países completamente diferentes, custos dissemelhantes, experiências diversas, mas sou como uma camaleoa. Independentemente de qual lugar escolher, acredito que me traria grandes benefícios.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Tatiane: Fazer intercâmbio mudou minha vida, literalmente. Alargou os meus horizontes!rs

Hoje vivo na Itália. O engraçado é que visitei a cidade em que moro exatamente enquanto fazia o intercambio, daí… me apaixonei!

Uma das vantagens de vir estudar na Europa é que os países são muito próximos, permitindo, assim, que o estudante conheça vários lugares legais. E por ser tudo perto, o tempo de viagem é relativamente curto e os preços de trem e aéreo são baixos se comprados com antecedência.


VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Tatiane: Estou fazendo um curso de especialização em língua italiana na minha área de formação que é Marketing e Relações Públicas. Após aprender o espanhol, aprendi a língua italiana estudando praticamente sozinha.

Atualmente estou trabalhando como freelancer. Creio que se eu tivesse aprendido o inglês no início ao invés do espanhol o resultado do “pós-curso” teria sido mais rentável. No entanto, minha vida pessoal deu uma guinada extremamente positiva após o intercâmbio.

 VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Tatiane: Para você, intercambista iniciante, bem, nem tudo será fácil. Seja pela língua, cultura, saudade, adaptação ou por outras razões. Simplesmente, não será. Porém, será enriquecedor e, se você se permitir, MA-RA-VI-LHO-SO!

Afaste todo e qualquer preconceito.

Aproveite o máximo o seu tempo. Ele não volta.

Amigos são importantes. Esteja atento para reconhecê-los em sua jornada.

E, principalmente, seja grato e sorria. Você nunca estará sozinho!

VRP: Fique à vontade para acrescentar qualquer coisa que não tenha falado anteriormente.

Tatiane: Acredito que viajar, estudar seja ótimo, mas para quem já tem essa vontade dentro de si. A experiência do intercâmbio geralmente é positiva para quem tem vontade de passar por essa vivência. Obviamente, estar em um país que fala outro idioma nos ajuda aprender a nova língua. Porém, a verdadeira garra para adquirir conhecimento parte de nós mesmos, e não importa em que lugar estejamos, em outro país que não o nosso ou no Brasil, nosso lar.

Aproveito para agradecer imensamente a oportunidade de contribuir aqui no Versátil RP. Me sinto realmente lisonjeada!

Por fim, gostaria de dizer que não há limites para sonhos. O impossível é apenas uma das especialidades de Deus 😉

Um abraço!

 

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