#21 Mudei de país, e agora?

O capítulo 21 da série traz Marcelo Teixeira, Relações Públicas, contando sobre sua vida na Irlanda, local que está desde 2016. Antes de ele já tinha visitado outros países europeus como Inglaterra e Portugal. Confira abaixo.

VRP: Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Marcelo: Eu vim a Dublin (Irlanda) no começo de 2016 e estou aqui desde então.

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Marcelo: Eu estava planejando há algum tempo dar uma pausa na carreira e fazer um sabático, acho que ao chegar aos trinte todos passam por essa fase onde questionam as suas escolhas de carreira, qual o real sentido da vida, etc. Eu tinha certo para mim que pararia dentro de um ano e iria em buscar das minhas respostas e aí com a crise rolou uma grande reestruturação na área que eu trabalhava e fui desligado e aí decidi adiantar em um ano os meus planos de ir em busca de mim mesmo, e no mesmo dia que aconteceu o corte na empresa, estava com passagens e datas marcadas para vir a Irlanda.

VRP: Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Marcelo: Sim, em 2012 para Londres onde fiz um curso e em 2015 a Lisboa e Londres onde fui a passeio.

VRP: Quando viajou você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Marcelo: Eu falava inglês muito bem, era avançado, mas não tinha proficiência. Digo proficiência pois apesar de conseguir me comunicar muito bem, entender facilmente nativos, eu não era capaz de escrever com a mesma confiança que escrevia em português e isso demandou muito de mim, não só estuar mais profundamente a gramática da língua como também ler mais – jornais e livros em especial.

De diferença acho que primeiro você está imerso no idioma e senti muita diferença no ensino da gramática, como o uso correto dos tenses (tempos verbais) etc, que é fundamental quando você está escrevendo. Português é uma língua verbal, onde tudo se resumo ao verbo e o que o verbo diz, o inglês por outro lado é uma língua onde tudo que está envolta do verbo é tão importante ou às vezes mais importante que o próprio.

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Marcelo: Eu não pensei que aprenderia muito inglês pois achava que eu já muito bem, mas hoje comparo o nível do meu inglês e vejo que ser fluente é bem diferente de entender e falar com confiança. Eu na verdade nunca soube ao certo o que me fez escolher a Irlanda e quais meus planos ao certo, tudo aconteceu de forma muito orgânica e acho que aqui estavam as coisas e pessoas que precisava encontrar para crescer como ser humano, meio mística a resposta, né? Mas ando meio místico, na verdade, acho que sempre fui.

VRP: Quais eram suas condições no exterior (onde morava, onde estudava, como se locomovia, comia, fazia amizades etc.)?

Marcelo: Eu moro em um flat com um mexicano e um Brasileiro, e me locomovo basicamente de ônibus e Luas (tipo o fura fila que nunca saiu do papel em São Paulo).

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Marcelo: Demais, amo meus amigos Irish, no começo eu tinha mais amigos brasileiros do que irlandeses, hoje em dia acho que a maioria é Irlandês, muito dos meus amigos brasileiros ou voltaram ao BR ou por algum motivo não estão mais em Dublin, aí foram ficando os irlandeses e por estar em um relacionamento com nativo também acaba me aproximando mais deles do que de Brasileiros.

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Marcelo: Brasileiros são muito expressivos e irlandeses são muito contidos, e isso até hoje é engraçado, lembro que uma amiga minha sempre que não a via por muito tempo e a encontrava dava um abraço e ela estranhava.

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Marcelo: Ainda estou fora.

VRP: Ainda mantem um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Marcelo: Sim

VRP: Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Marcelo: Acho que a maior dificuldade está em superar em mim mesmo algumas barreiras que criei, e acho que todo brasileiro cria, entender que eu era muito mais do que acreditava ser e poderia muito mais.

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Marcelo: Absolutamente.

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Marcelo: Posso dizer que a Irlanda me mudou e continua me mudando para sempre, a pessoa que me tornei é tão diferente da pessoa que chegou aqui e sou eternamente grato a este país por isto que me proporcionou.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Marcelo: Acho que ter o domínio do inglês é essencial hoje em dia, pois é a língua do mundo corporativo. O que mudou para mim em especial foi ter 100% de domínio do idioma.

VRP:  Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes?

Marcelo: Escolha um lugar que você tenha vontade de conhecer, vá de coração aberto, pois nenhum lugar é como sonhamos. Tenho amigos brasileiros, pois eles que te ajudam quando a situação fica difícil, mas não deixe de se relacionar a maior parte do seu tempo com nativos, é difícil, é desafiador, mas isso que lhe dará fluência e confiança. Leia muito jornais, revistas, livros e assista tv, no começo tudo isso é muito difícil, eu mesmo sendo avançado no começo dependendo da leitura tinha dificuldade, mas tudo isso que levará a fluência.

VRP: Fique à vontade para acrescentar qualquer coisa que não tenha falado anteriormente.

Marcelo: Não importa que você seja, o que você fez, de onde você vem. Você sempre pode mudar, se tornar uma versão melhorada de si mesmo

Marcelo Teixeira, 32 anos, Relações Públicas.