#22 Mudei de país, e agora?

Depois de um tempo de organização e mudanças,  o Versátil RP traz o segundo capítulo da série “Mudei de país, e agora?”. Com vocês Carolina Zalcbergas de Salvador .

VRP:  Para qual país você foi? Quanto tempo ficou lá? Quando a viagem aconteceu?

Carolina: Viajei para Israel no ano de 2013 e fiquei por quase 1 ano.

VRP: Como conseguiu a oportunidade?

Carolina: Eu sou judia, e desde criança já vinha participando de um movimento juvenil com pessoas da minha da religião. Em um determinado momento, os participantes  tinham a oportunidade de receber bolsas para viajar e fazer um programa específico em Israel. Tinha na época 17 anos, era segundo ano do ensino médio e consegui a bolsa. Não fiz o meu terceiro ano e resolvi viajar.  

VRP:  Você já tinha viajado para o exterior anteriormente? Para qual lugar e em qual ocasião?

Carolina: Tive a oportunidade de conhecer a França, Chile, Estados Unidos, Argentina entre alguns outros países sempre com a minha família ou com agência de turismo. 

VRP: Quando viajou, você já tinha fluência na língua nativa? Percebeu alguma grande diferença entre o seu aprendizado no Brasil e a prática do idioma no país?

Carolina: Hahahahaha meu deus! Não.. não sabia mesmo! E quando cheguei lá e percebi a dimensão do problema, por que todas as outras 48 pessoas que estão comigo, tinham pelo menos uma base da língua. O hebraico é outro alfabeto, não existem vogais.. meu nome: Carolina, é lido CROLNX.. e você tem que descobrir que é Carolina. 

Precisei de bastante dedicação e cara de pau pra aprender. Foi através do desespero que eu comecei a correr atrás mais do que todos que viajavam comigo e no final do ano, fiquei entre uma das melhores pessoas que falavam hebraico no grupo. 

VRP: Por que optou por fazer o intercâmbio? Quais eram seus planos, sonhos e ambições com isto?

Carolina: Eu sempre tive a vontade de descobrir o mundo e ver novas coisas e ter novas experiências. O intercâmbio é uma oportunidade para isso. Sou suspeita para falar por que tive esses planos a minha vida toda. Gosto de expandir a minha mente para além do óbvio e a viagem permite isso.

VRP: Quais eram suas condições no exterior (onde morava, onde estudava, como se locomovia, comia, fazia amizades etc.)?

Carolina: Durante o programa eu passei por três momentos. Todos eles tive comida, moradia e trabalho, aulas e companhias, então a minha preocupação maior era gastar a menor quantidade de dinheiro possível, seguir as regras do programa e aprender a viver, dividir o dinheiro, dormir e viajar com pessoas diferentes de mim. 

Não tinha uma família adotiva, então era completamente independente em tudo. Teve uma fase que tínhamos até que dividir nosso dinheiro e discutir o que era prioridade para comprar em prol do grupo como um todo. 

VRP: Você se sentiu bem acolhida pelos nativos do país? Por quê?

Carolina: O povo israelense não é fácil. O choque de cultura é bem grande, mas os brasileiros são muito queridos lá… Então ajuda bastante a recepção em alguns lugares. 

VRP: Como interpretou a questão da diferença cultural? Pode me dar exemplos das maiores diferenças de hábitos e cultura com relação ao Brasil?

Carolina: Israel é um país com muitas leis religiosas, e é difícil se adaptar a isso. 

Exemplo: durante o período de sexta 15:00 até sábado 19:00, não existe transporte na cidade. 

Em alguns lugares a vestimenta era bem específica. Tinha bairros religiosos em que homens não falavam comigo e me olhavam feio, caso meu braço estivesse à mostra. 

O calendário é completamente diferente. Não existe natal, ano novo, páscoa. É outra cultura de tudo.  

Lá não existe fila.. isso é bem engraçado. As pessoas se matam para entrar em algum lugar que precisa de fila. 

Eles falam alto, são grosseiros e fortes no modo de falar (acredito que por TODOS serem obrigados a servir o exército uns 2 anos, quando concluem o ensino médio). Entretanto, são respeitosos, gentis quando te conhecem. 

VRP: Qual foi a sua sensação ao retornar para o Brasil?

Carolina: Fiquei com a sensação de que as pessoas do Brasil tinham parado no tempo e estavam esperando eu voltar. Também de que o Brasil estava pequeno demais pra mim. 

VRP:  Ainda mantém um relacionamento com os gringos? Como é essa relação hoje?

Carolina: Mantenho com algumas poucas pessoas. O contato foi diminuindo com o passar dos anos, mas é sempre muito amigável. Trocamos bastante figurinhas. 

VRP:  Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas no país?

Carolina: Aprender a língua foi um dos meus maiores desafios. Como falei o alfabeto hebraico é outro. 

Outra dificuldade é o país ser religioso e devemos seguir muitas vezes essas regras independentemente se acreditamos nisso ou não. 

VRP: Faria intercâmbio de novo? Por que, para onde e por quanto tempo?

Carolina: Já estou programando o próximo! Acredito que o RP precisa ver diversas facetas do mundo para entender o que acontece. Penso que uma pós graduação em outro país vai me ajudar enxergar a profissão de uma maneira mais ampla e rica. Irei para onde for melhor para mim profissionalmente. 

VRP: O que essa experiência acrescentou à sua vida?

Carolina: Tudo! O principal, com certeza, foi saber ser independente, responsável e conseguir me virar independente do objetivo. Saber me adaptar em um ambiente.

VRP: E como comunicador, qual foi o “peso” do intercâmbio na sua vida acadêmica e profissional? Exemplifique.

Carolina: Antigamente não entendia qual era o peso disso para a minha vida profissional e acadêmica, mas quando participava das discussões, conseguia ponderar mais as coisas, tinha bagagem e exemplos. Conseguia associar coisas que vi. 

No âmbito profissional, sem dúvidas a experiência de ser independente, responsável, ter morado sem meus pais, me ajudou muito em processos seletivos! Saber falar algumas línguas, entender de diferentes culturas e modos de pensar, contribui para que saibamos que a comunicação não é unilateral e que o relacionamento com os públicos varia de acordo com o modo de pensar delas. Além disso, cada país tem o que acrescentar no Brasil também. Devemos saber filtrar isso para agregar. 

VRP: Alguma dica extra para os intercambistas iniciantes? 

Carolina: Gaste dinheiro com tudo que possa te trazer novas experiências. Não espere dizerem o que é preciso fazer. Façam. Qualquer experiência é valida, e vivam intensamente tudo o que puder. Estejam abertos à cultura local e ao modo de pensar dessas pessoas. Deixe para dormir em casa quando voltar, rs.  

VRP: Fique à vontade para acrescentar qualquer coisa que não tenha falado anteriormente.

Carolina: Por mais que pareça ser difícil e caro viajar, tudo é questão de prioridade. Vale a pena abrir mão de outras coisas para uma experiência dessas. Não precisa ser 1 ano, 2.. as vezes, só descobrir o que o mundo pode te dar, ajuda a saber o que podemos mudar no nosso dia a dia e no nosso trabalho. Nunca fiz uma viagem que não tenha me acrescentado e que eu não tenha aplicado algo que eu aprendi na sala de aula ou profissionalmente. 

Deixe seus contatos (nome e sobrenome, formação acadêmica, idade).

Carolina Zalcbergas. UNIFACS- Universidade Salvador, Comunicação social com habilitação em Relações Públicas. 22 anos. 

 

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